Muitos passageiros nesta segunda -feira(02), reclamaram dos transtornos ocasionados pela precariedade do transporte publico em BH, nem a volta da circulação do metrô ajudou.

A reclamação de superlotação e demora dos coletivos seguem. O assistente de departamento pessoal Marcos de Oliveira, de 58 anos, mora em Contagem, na região Metropolitana, e trabalha no hipercentro de Belo Horizonte. Ele esperou pelo coletivo por mais de uma hora.

“A demora acabou se transformando em rotina. Saio do trabalho às 18h e chego por volta das 20h30. O percurso é mais cansativo que o trabalho. Infelizmente, com o preço da gasolina, fica impossível usar o carro sempre”, contou. Oliveira só vai trabalhar de carro às sextas-feiras. “É um luxo para descansar e escapar da superlotação”, completou.

A passageira Eliane Campos, de 53 anos, trabalha em Belo Horizonte e mora em Ribeirão das Neves, na região Metropolitana. Ela comentou que está exausta de esperar mais de uma hora no ponto para conseguir chegar em sua residência. “A ida e a volta para casa está cada dia mais complicada. Passar mais de uma hora no ponto e mais de uma hora em pé no coletivo cheio está cada vez mais desgastante e exaustivo”, comentou

Na última sexta (29), os consórcios operacionais do serviço de transporte público de Belo Horizonte afirmaram que o número de viagens ofertadas seria proporcional “aos recursos financeiros gerados pelo sistema” e “que sejam suficientes para cobrir seus custos”. Ou seja: poderia faltar ônibus.

O setor alega queda da demanda de passageiros, alta do diesel e falta de reajuste do valor das passagens como os principais problemas atualmente. Ainda em 2020, as empresas do segmento venderam 417 veículos para evitar o colapso do sistema, em uma transação de cerca de R$ 41 milhões.

Porém, apesar de ter comunicado, na última sexta (29), a possível redução dos horários de ônibus, após reunião com a Prefeitura de Belo Horizonte, as empresas de transporte coletivo “voltaram atrás” e ficou acordado que cumpririam, sim, a capacidade máxima do serviço. E, tanto de acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), quanto conforme o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), é isso o que está acontecendo.

Questionado sobre a situação específica desta segunda (2), o SetraBH afirmou que os horários dos ônibus estão sendo cumpridos segundo o determinado pela BHTrans. Em nota, a BHTrans ressaltou que está fiscalizando os serviços “e, em caso de descumprimento do contrato, haverá penalização das empresas”, disse. O órgão, porém, não especificou quais são essas penalizações.

Apesar de o SetraBH e da BHTrans mencionarem o cumprimento dos horários de ônibus, a situação é de colapso, segundo André Veloso, coordenador de políticas públicas do Nossa BH, movimento que cobra ações do poder público em diversas áreas.

“O sistema está em colapso. Os responsáveis são as empresas de ônibus e a Prefeitura de Belo Horizonte. As empresas não se esforçam para achar uma solução, e a Prefeitura não enfrenta os interesses das empresas”, diz ele.

Conforme relata Veloso, está se tornando raro encontrar viagens de ônibus fora dos horários de pico. “As empresas estão retirando os carros de circulação. A Prefeitura está deixando isso acontecer, quando tem instrumentos para não permitir”, diz. “E a população? “Está sendo feita de refém”, conclui.