O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), oficializou nesta terça-feira, 3 de junho, a municipalização do Anel Rodoviário, em cerimônia realizada nas proximidades do viaduto São Francisco, na Pampulha. A via, até então sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), passa agora à gestão da prefeitura, que promete dar à estrada um “tratamento especial” adaptado às necessidades da cidade. O evento contou com a presença dos ministros Renan Filho (Transportes), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos).
O Anel Rodoviário, inaugurado em 1963 com o objetivo de desviar o tráfego das BRs 040, 262 e 381 do centro de Belo Horizonte, foi progressivamente engolido pela malha urbana. Atualmente, a via suporta um tráfego diário de 154 mil veículos e apresenta uma média preocupante de 12 acidentes por dia em 2025.
A municipalização era um antigo pleito da prefeitura e ganhou força na gestão do ex-prefeito Fuad Noman, falecido em março. Damião, que era seu vice, anunciou que enviará à Câmara Municipal um projeto para renomear oficialmente o Anel Rodoviário como “Via Prefeito Fuad Noman”, em homenagem ao antecessor.
A transferência da gestão foi viabilizada após longa negociação com o governo federal. Como contrapartida, a União destinou R$ 110 milhões para recapeamento da via e construção de dois viadutos nas interseções com a BR-040 e com a Via Expressa. O recapeamento já está em andamento. As obras dos viadutos ainda não começaram, mas a previsão é que fiquem prontas em 2025.
Durante o evento, Álvaro Damião enfatizou que o Anel receberá um cuidado especial, semelhante ao que já é dispensado a importantes avenidas da capital, como a Cristiano Machado, a Amazonas e a Antônio Carlos, mas com atenção diferenciada. “Queremos minimizar o impacto dos acidentes. Zerar é praticamente impossível, mas estaremos ao lado do Anel todos os dias”, declarou.
Entre as primeiras medidas anunciadas está a instalação de uma base operacional exclusiva para o Anel Rodoviário no Aeroporto Carlos Prates, às margens da via. O centro contará com guinchos e estrutura de atendimento emergencial a acidentes — algo inédito em outras avenidas da cidade. A operação será coordenada pela BHTrans e pela Superintendência de Mobilidade Urbana (Sumob).
O prefeito afirmou que Belo Horizonte está financeiramente preparada para assumir a gestão da via e garantiu que haverá recursos para futuras intervenções. “Muita gente pergunta se estamos prontos. Estamos sim. Antes, com o Dnit, estávamos engessados. Agora, podemos agir diretamente para resolver os problemas do Anel”, disse.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou que os investimentos já feitos pelo governo federal garantirão economia à prefeitura nos próximos anos. “Com o recapeamento em andamento, a prefeitura não precisará investir em pavimentação nos próximos 24 a 36 meses”, afirmou. Segundo ele, o desafio agora é integrar a rodovia ao ambiente urbano. “Não se trata apenas de estrada, mas da sua relação com a cidade.”
Renan Filho elogiou a iniciativa da capital mineira e disse que experiências semelhantes já aconteceram em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. “É um paradoxo: Belo Horizonte precisa do Anel, mas o Anel também precisa da cidade. Quando está nas mãos do município, há mais agilidade e proximidade para intervir”, afirmou.
O ministro reforçou que o governo federal continuará apoiando a cidade com recursos para obras estruturantes, seja por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ou por financiamentos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A prefeitura só precisa apresentar os projetos”, destacou.
Álvaro Damião também negou que a via possa vir a ser privatizada no futuro. “Não estamos falando de concessão ou pedágio. Estamos falando de municipalização. O Anel Rodoviário agora é de Belo Horizonte e vai continuar sendo público”, garantiu.
Dois projetos atualmente em tramitação, um na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e outro na Câmara Municipal de Belo Horizonte, reforçam essa posição, ao proibir a cobrança de pedágios em vias da Grande BH.
A municipalização do Anel Rodoviário marca uma nova etapa no planejamento de mobilidade urbana da capital mineira. A expectativa da atual gestão é que, sob responsabilidade da prefeitura, a via passe por transformações que a tornem mais segura, eficiente e integrada ao cotidiano de quem circula por Belo Horizonte.
Foto: Márcio Ferreira

