O grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para encontrar um candidato competitivo ao governo de Minas Gerais em 2026, caso o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) decida não disputar o cargo. A preocupação se deve à necessidade de um palanque forte para Lula no estado, fundamental em eleições presidenciais. Segundo aliados, Pacheco não demonstra entusiasmo com a candidatura e pediu 30 dias para tomar uma decisão.
No PSD, o senador mineiro tem sinalizado que prefere não concorrer, embora não descarte totalmente a possibilidade. Publicamente, ele chegou a sugerir que pode se afastar da política a partir de 2025. Caso decida disputar o governo, seus aliados avaliam se a presença de Lula em seu palanque seria vantajosa, já que Minas Gerais é governado por Romeu Zema (Novo), aliado do bolsonarismo. Zema trabalha para fortalecer seu vice, Mateus Simões (Novo), como sucessor.
Diante da indefinição de Pacheco, Lula e as lideranças petistas em Minas buscam alternativas para a candidatura. Dentro do PSD, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um dos nomes cogitados. Apesar da influência no governo federal, Silveira tem manifestado interesse em permanecer no ministério caso Lula seja reeleito. Próximo ao Palácio do Planalto e à primeira-dama Janja, ele nega interesse na disputa e reafirma apoio a Pacheco.
“Como diz o Hino Nacional, ‘bom filho não foge à luta’. Pacheco será governador de Minas para que o estado possa se reestabelecer. Eu ajudarei a coordenar a campanha dele e do presidente Lula“, afirmou.
Caso Pacheco desista, petistas também avaliam a possibilidade de lançar a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), reeleita no primeiro turno em 2020. Como gestora da maior cidade administrada pelo PT em Minas, Marília tem peso político, mas resiste à ideia.
“O fato de eu ser do PT, na minha opinião, dificulta a disputa. Vou perder um tempo enorme falando de PT, e isso não me entusiasma. Sou do partido há 40 anos, vou continuar nele, mas sei dos meus limites”, disse a prefeita.
Questionada sobre outras opções para a disputa, Marília afirmou que pretende dialogar com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Fora da política desde a derrota de seu candidato, Mauro Tramonte, na capital mineira em 2024, Kalil manifestou interesse em disputar o governo estadual e apareceu em segundo lugar na pesquisa Genial/Quaest de fevereiro, com 16% das intenções de voto. O senador Cleitinho (Republicanos) lidera com 33%, seguido por Pacheco, que marcou 8%.
Apesar da preferência de Marília por Kalil, aliados acreditam que um pedido direto de Lula pode convencê-la a reconsiderar sua candidatura. A definição de um nome forte para a disputa é prioridade para o presidente, que já visitou nove cidades mineiras em 2024 e planeja ampliar a presença no estado.
A dificuldade do PT em Minas reflete o histórico de derrotas nas últimas eleições estaduais. Desde a reeleição de Fernando Pimentel, em 2014, o partido não conseguiu vitórias expressivas. Em 2022, o PT apoiou Kalil, à época filiado ao PSD, mas ele foi derrotado por Zema no primeiro turno.
Enquanto a esquerda busca um candidato, a direita também enfrenta disputas internas. Zema tenta viabilizar Mateus Simões, enquanto Cleitinho se posiciona como representante do bolsonarismo. Nos bastidores, aliados do governador articulam uma unificação das candidaturas para evitar divisão de votos, mas até o momento não houve consenso.
Com informações de O Globo
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

