A Polícia Federal (PF) solicitou formalmente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma investigação específica para apurar a controversa entrada de Filipe Martins nos Estados Unidos. Martins, ex-assessor para assuntos internacionais de Jair Bolsonaro, é réu no Núcleo 2 da trama golpista. A polêmica envolve a suposta viagem ocorrida em dezembro de 2022, uma semana antes dos atos de 8 de janeiro.
A solicitação da PF, feita nesta segunda-feira (20), ocorre após o próprio ministro Moraes ter pedido esclarecimentos sobre o caso. A dúvida se intensificou quando o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos divulgou nota negando a entrada de Martins no país na data indicada.
Apesar da negativa americana, o delegado Fábio Shor argumenta que a nova apuração é necessária para investigar uma eventual simulação de entrada. “O foco da nova investigação será descobrir se houve uma fraude no registro de entrada”. Ele levantou a hipótese de uso indevido de prerrogativas diplomáticas concedidas a comitivas de chefes de Estado, nas quais a presença física não é exigida, o que poderia ter sido usado para “simular uma falsa entrada de Filipe Martins em território norte-americano”.
No início das investigações, a PF concluiu que Martins teria chegado a Orlando na data referida e utilizado seu passaporte. Shor explicou: “Todas as informações da apuração indicam o registro de entrada de Filipe Martins Pereira nos Estados Unidos da América”.
Martins foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar na elaboração da minuta golpista e foi solto por ordem de Alexandre de Moraes em agosto de 2024, permanecendo monitorado por tornozeleira eletrônica. “A nova investigação buscará resolver a contradição entre os registros da PF e a negativa americana”.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

