O procurador-geral da República, Paulo Gonet, atribuiu ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a principal responsabilidade pela radicalização que culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Em alegações finais encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet defendeu a condenação de Bolsonaro por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado, ao lado de outros sete integrantes do chamado “núcleo crucial” da suposta organização criminosa.
Segundo o procurador-geral, Bolsonaro, mesmo ausente fisicamente na data dos ataques, foi o principal fomentador do ambiente que levou à violência. “Foi ele o principal responsável pela contínua radicalização e pela criação do ambiente que possibilitou a explosão de violência”, escreveu.
Durante depoimento ao STF no mês anterior, Bolsonaro alegou não ter ligação com os atos e se referiu a parte de seus apoiadores como “malucos”. Gonet, no entanto, contestou essa versão e afirmou que o ex-presidente atuou de forma ativa, por meio de “ações, palavras e omissões”, para alimentar a tensão durante e após o período de transição política.
Para o chefe da PGR, os eventos de 8 de janeiro foram resultado de um processo prolongado de incitação e organização. Ele destaca que Bolsonaro começou ainda em 2021 a fomentar desconfiança nas instituições, questionar a legitimidade do sistema eleitoral e gerar instabilidade.
“Posturas ambíguas e a ausência de medidas concretas para conter os ânimos inflamados por ele próprio são indicativos claros de sua contribuição para a escalada de violência”, escreveu o procurador.
Gonet conclui que as atitudes do ex-presidente não refletiram apenas resistência à derrota eleitoral, mas sim uma articulação deliberada para desestabilizar o Estado Democrático de Direito. Bolsonaro, por sua vez, argumenta que não pode ser responsabilizado pelos atos porque se encontrava nos Estados Unidos naquele dia.
Foto: Fellipe Sampaio/STF

