A Polícia Federal (PF) informou em relatório final entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou a transferência de R$ 2 milhões para a conta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na véspera de depor à corporação. O repasse ocorreu no dia 21 de fevereiro de 2024, um dia antes de Bolsonaro prestar esclarecimentos no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado.

Segundo os investigadores, a operação teve como objetivo resguardar o patrimônio do ex-presidente diante da possibilidade de bloqueio judicial. O relatório destacou que a transação foi realizada em um momento de forte pressão sobre Bolsonaro, quando já tramitavam pedidos de medidas cautelares e se discutia a constrição de seus bens.

Vale ressaltar que Jair Bolsonaro omitiu informação à Polícia Federal em seu depoimento no INQ 4.995/DF de que teria repassado outros valores a Eduardo Bolsonaro, além dos R$ 2.000.000,00 revelados. Também não houve qualquer justificativa para transferência de recursos no mesmo valor para Michelle Bolsonaro apenas um dia antes do interrogatório”, registrou a PF.

Para a corporação, a movimentação financeira reforça indícios de que Bolsonaro adotou estratégias para ocultar patrimônio em meio às investigações. “O temor de bloqueio de bens motivou a transferência”, apontou o documento.

O relatório também relatou a realização de saques em espécie e repasses a assessores e aliados próximos, sem justificativas plausíveis. Além disso, foi identificada a fragmentação de valores em depósitos e transferências, conduta que, de acordo com os investigadores, sugere tentativa deliberada de dificultar o rastreamento dos recursos.

Na mesma ocasião, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação a autoridades responsáveis pela ação penal sobre a tentativa de golpe. O relatório afirmou haver elementos de que ambos buscaram atrapalhar o andamento do processo.

Os investigadores também apontaram indícios de crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito, uma vez que as ações atribuídas ao ex-presidente e ao parlamentar “buscam atingir diretamente instituições democráticas brasileiras, notadamente o Supremo Tribunal Federal e, até mesmo, o Congresso Nacional Brasileiro”.

A PF teve acesso a mensagens em um celular apreendido com Jair Bolsonaro, que, segundo o relatório, comprovam “intensa produção e propagação de conteúdos destinados às redes sociais, em afronta à medida cautelar anteriormente imposta”.

Em nota publicada em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que sua atuação nos Estados Unidos nunca teve como objetivo interferir em processos no Brasil, mas sim em “restabelecer as liberdades individuais no país”. O deputado classificou o indiciamento como “absolutamente delirante” e ressaltou que, por residir atualmente nos Estados Unidos, encontra-se protegido pela legislação local.

“É lamentável e vergonhoso ver a Polícia Federal tratar como crime o vazamento de conversas privadas, absolutamente normais, entre pai e filho e seus aliados. O objetivo é evidente: não se trata de justiça, mas de provocar desgaste político. Se meu crime for lutar contra a ditadura brasileira, declaro-me culpado de antemão”, concluiu Eduardo.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 


Avatar

administrator