A Polícia Federal (PF) prendeu, preventivamente, nesta quarta-feira (17), Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), e Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da PF e atual diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A operação também cumpriu setenta e nove mandados de busca e apreensão em diversas localidades.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação Rejeito, deflagrada pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), para investigar fraudes no processo de autorização de exploração de minério de ferro em Minas Gerais. Segundo a PF, o esquema envolvia a emissão irregular de licenças ambientais e autorizações, permitindo a extração ilegal de minério em locais tombados e próximos a áreas de preservação. “As ações resultaram em graves consequências ambientais e elevado risco de desastres sociais e humanos”, informou a corporação em nota.
Trivellato é advogado especialista em direito ambiental. Ele atuou como assessor de Resolução de Conflitos na ANM entre 2020 e 2022, assumindo depois a Superintendência de Ordenamento Mineral e Disponibilidade de Áreas. Em maio de 2023, passou a ocupar interinamente a diretoria da agência, sendo efetivado em dezembro do mesmo ano.
Rodrigo Teixeira ingressou na PF em 1999, tendo ocupado cargos de destaque, como a Superintendência em Minas Gerais, em 2018, e a Diretoria de Polícia Administrativa entre 2023 e 2024. Ele também foi secretário adjunto de Segurança da Prefeitura de Belo Horizonte, além de atuar na Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais e na Fundação Estadual do Meio Ambiente.
A Justiça Federal determinou o afastamento cautelar de todos os investigados que ocupam cargos públicos. Além de Trivellato e Teixeira, outras vinte pessoas tiveram prisão preventiva decretada. A PF estima que o grupo tenha movimentado pelo menos um bilhão e quinhentos milhões de reais, valor que foi bloqueado por decisão judicial.
Segundo as investigações, os responsáveis corrompiam servidores estaduais e federais de órgãos de fiscalização e controle para obter licenças fraudulentas. “A organização criminosa teria atuado para neutralizar a ação do Estado, dificultando as investigações e monitorando autoridades. Além disso, utilizou diversos artifícios para lavar o dinheiro obtido com as práticas ilícitas”, diz a PF.
Em nota, a ANM informou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e ainda não recebeu comunicação oficial sobre as determinações judiciais. O SGB também divulgou nota reafirmando compromisso com a ética, legalidade e transparência, destacando que está à disposição para colaborar com as autoridades competentes.
Foto: Controladoria-Geral da União

