A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira mais uma fase da Operação Sisamnes, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um grupo suspeito de vazar informações sigilosas de processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nesta etapa, a PF cumpriu três mandados de prisão: um contra o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), além de um advogado e um policial. Também foram executados três mandados de busca e apreensão na capital do Tocantins. As ações foram autorizadas pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, as investigações apontam que informações confidenciais de um inquérito foram acessadas antecipadamente e repassadas a investigados, com a participação de agentes públicos e advogados. “O grupo teria usado os dados sigilosos para proteger aliados, frustrar ações policiais e fortalecer redes de influência“, afirmou a corporação.
Eduardo Siqueira Campos já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em maio, durante a primeira fase da Sisamnes. Na ocasião, o ministro Zanin negou o pedido de prisão solicitado pela PF. Com novas provas, os investigadores reforçaram as suspeitas de que o prefeito discutiu informações sigilosas com um sobrinho do governador do Tocantins.
Em março, o advogado Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi preso no âmbito da mesma investigação. O governador, no entanto, não foi alvo da operação.
As informações acessadas pelo grupo investigado estão relacionadas a um inquérito sobre suspeitas de desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas pelo governo estadual. Na época, o governador declarou: “Não houve qualquer recebimento de informação privilegiada, pois a defesa já possuía acesso integral ao processo.”
Ele acrescentou: “O Governador Wanderlei Barbosa não é alvo da investigação e nem foi citado no processo. Eventuais desdobramentos são de exclusiva responsabilidade dos investigados, sem qualquer vínculo com o governador.”
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

