O Governo de Minas Gerais, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), homologou a licitação para a construção da ponte sobre o Rio São Francisco, que ligará os municípios de Manga e Matias Cardoso, no Norte do estado. A obra é aguardada há décadas e representa um avanço histórico para a região. O resultado foi publicado no Diário Oficial no sábado, 26 de julho.

Orçada em R$ 252.967.153,57, a licitação foi realizada na modalidade de grande vulto. A proposta vencedora, apresentada pelo consórcio Ponte Francisco, formado pelas empresas Construtora A. Gaspar S/A e Arteleste Construções Ltda., foi de R$ 207.490.000,00 — o que representa um desconto de 17,97%. Das seis empresas participantes, três foram desclassificadas.

A próxima etapa será a formalização do consórcio, seguida da emissão da ordem de início das obras. Essa fase inclui montagem do canteiro, contratação de pessoal, deslocamento de máquinas e estruturação da execução.

Além de conectar Manga a Matias Cardoso, a construção da ponte vai garantir um avanço no desenvolvimento econômico de toda a região, melhorando o escoamento da produção dos municípios, facilitando o turismo, inclusive com o Nordeste do país”, afirmou o governador Romeu Zema.

A ponte está inserida no programa Caminhos pra Avançar, maior pacote de obras rodoviárias das últimas décadas em Minas. A travessia terá 1.160 metros de extensão e 13,8 metros de largura, com passeios laterais para pedestres. Além da ponte, será construída uma variante de 2.940 metros, ligando a estrutura às rodovias MG-401 e MGC-135, com três interseções para acesso aos municípios e comunidades vizinhas.

“O fluxo de trabalhadores e pessoas em busca de saúde e educação, hoje feito por balsa, será otimizado”, ressaltou o vice-governador Mateus Simões.

A ponte favorecerá o deslocamento entre diversas cidades, como Jaíba, Montalvânia, Juvenília, Itacarambi e Montes Claros — este último um polo regional de educação e saúde. A integração também alcançará o oeste da Bahia e o Noroeste mineiro, beneficiando especialmente as populações ribeirinhas.

A obra promete alavancar a economia e melhorar a vida da população local. Um dos destaques será o impacto positivo sobre o Projeto Jaíba, o maior de irrigação contínua da América Latina, que utiliza águas do São Francisco.

Nossa expectativa é que, ainda em agosto, a ordem de início seja emitida e, em até 20 dias, o canteiro de obras esteja operando. A ponte vai impulsionar o turismo no Vale do Peruaçu, agora Patrimônio Natural Mundial da Unesco”, disse Rodrigo Tavares, diretor do DER-MG.

Pela primeira vez em Minas, a obra utilizará a cláusula de retomada prevista na Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021). Projetos acima de R$ 200 milhões exigem seguro garantia. Caso a empresa vencedora descumpra o contrato, a seguradora deverá indenizar o Estado em 30% do valor ou assumir a execução.

O financiamento da ponte vem dos recursos do Acordo de Reparação da tragédia de Brumadinho, firmado entre a Vale, o Governo de Minas, o Ministério Público estadual e federal, e a Defensoria Pública. O rompimento da barragem causou a morte de 272 pessoas e provocou danos humanos, sociais e ambientais ainda em reparação.

Foto: DER-MG / Divulgação


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