Depois de quase 10 anos, a prefeitura de Belo Horizonte realiza, em parceria com a Faculdade de Medicina da UFMG, um censo da população em situação de rua da cidade.

“Nós estamos com uma equipe muito boa, muito completa, incluindo todas as pessoas do movimento, que participaram da pesquisa desde a elaboração. Estamos trabalhando nisso já há um ano, então essa coleta de dados coroa isso tudo”, afirma a professora da Faculdade de Medicina da UFMG e uma das coordenadoras do censo, Maila Castro.

As pessoas em situação de rua participam, também, da ação efetiva. Sem moradia há 8 anos, Antônio Augusto Jardim é um dos pesquisadores-pares do censo. “Eu dar um suporte, ficando perto das pessoas, como um exemplo de alguém que é morador de rua, e explicar que é um trabalho sério e pra melhorar a nossa vida”, conta.

Cada equipe conta com uma pessoa que teve uma trajetória na rua, como Antônio, para auxiliar na abordagem a quem precisa responder ao questionário do censo. Os demais integrantes de cada equipe – estudantes da UFMG e pessoas da sociedade civil – foram selecionados pela coordenação do censo em um processo seletivo e passaram por treinamentos específicos.

Vinte e quatro equipes, compostas por mais de 200 pessoas, ao todo, percorrem as regionais Leste e Centro-Sul, nesta quarta-feira, e o restante da cidade na quinta e sexta-feira. Os questionários buscam entender as características dessa população e ouvir o que essas pessoas acham do que já é oferecido como serviço público.

A gente fez uma extensa discussão sobre o que a gente precisava saber, para nortear políticas públicas efetivas para essa população. Então, vão desde dados sociodemográficos até a avaliação dos serviços disponíveis, pedindo orientações ou sugestões para mudar essa trajetória, o que eles precisam e gostariam”, detalha Castro.

Os resultados vão ser analisados de forma qualitativa e quantitativa, para guiar a elaboração de políticas públicas nos próximos anos, na capital.


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