A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostra que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a trajetória de recuperação iniciada há seis meses. Pela primeira vez desde maio, as taxas de aprovação e desaprovação estão praticamente empatadas, com diferença de apenas um ponto percentual. Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros aprovam o governo, enquanto 49% o desaprovam. Em maio, a distância era de 17 pontos; em setembro, havia caído para cinco.
Na comparação com a pesquisa anterior, o governo subiu dois pontos percentuais, dentro da margem de erro, passando de 46% para 48%. Já a desaprovação caiu de 51% para 49%. Embora as variações estejam dentro do limite estatístico, a tendência confirma uma recuperação gradual, com retomada dos índices observados em janeiro, antes da queda de popularidade provocada pela crise do Pix.
Os números de avaliação da gestão também mostram avanço. A parcela que considera o governo “positivo” subiu de 26% em maio para 33% agora, enquanto a avaliação “negativa” recuou de 43% para 37%. A diferença entre as duas percepções, que era de 17 pontos há cinco meses, hoje é de apenas quatro, indicando maior equilíbrio na opinião pública.
De acordo com analistas, a melhora reflete uma série de fatores políticos e econômicos recentes. Entre eles, a redução dos preços dos alimentos, o reposicionamento do discurso presidencial após a crise do tarifaço e o reforço da imagem de Lula como liderança internacional após encontros diplomáticos. “O governo conseguiu reduzir o desgaste acumulado e melhorar sua comunicação com setores médios da sociedade”, avaliam os pesquisadores da Quaest.
O levantamento foi feito entre quinta-feira e domingo, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi concluída antes do telefonema entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem sido interpretado como um sinal de aproximação entre os dois líderes. Desde a Assembleia Geral da ONU, no fim de setembro, ambos vêm trocando gestos diplomáticos, e Trump chegou a elogiar o brasileiro em público.
O desempenho de Lula foi impulsionado sobretudo pelo eleitorado feminino e por adultos entre 35 e 59 anos. Entre as mulheres, 52% aprovam e 45% desaprovam o governo. Na faixa etária intermediária, a aprovação é de 51% contra 46% de desaprovação. Esses grupos passaram a ser maioria pró-governo pela primeira vez desde o início do ano.
Os entrevistados também avaliaram três acontecimentos recentes: o encontro entre Lula e Trump, o discurso do presidente brasileiro na ONU e a reforma do Imposto de Renda. Nos três casos, as ações de Lula foram mais aprovadas do que reprovadas.
A reforma tributária, que prevê isenção do Imposto de Renda para salários de até cinco mil reais e taxação de 10% sobre rendas anuais superiores a seiscentos mil reais, é conhecida por 68% dos entrevistados. Desses, 79% aprovam a medida de isenção, já aprovada pela Câmara, e 64% apoiam a taxação dos mais ricos, considerada essencial para equilibrar a arrecadação.
O encontro entre Lula e Trump foi lembrado por 57% dos entrevistados, e quase metade desse grupo (49%) avalia que o brasileiro saiu politicamente fortalecido, enquanto 27% dizem o contrário.
Já o discurso de Lula na ONU foi conhecido por 44% dos participantes da pesquisa; entre eles, 52% consideraram a fala boa e 34% avaliaram negativamente. Os dados, segundo os analistas, consolidam a percepção de que o presidente conseguiu recuperar parte do capital político perdido no início do ano e entrou em um novo ciclo de estabilidade na opinião pública.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

