Após desentendimentos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo federal, a participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em um possível evento com Lula no estado, em 6 de fevereiro, é incerta. A data marca a entrega das obras da BR-381 à concessionária Nova 381, que assumirá a gestão da “Rodovia da Morte” em Minas Gerais.
Interlocutores do Palácio Tiradentes demonstram preocupação com a possibilidade de Zema dividir o palco com Lula e, especialmente, com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, caso uma solenidade seja realizada. O receio é de que o encontro possa ser marcado por “armadilhas” ou “boicotes”, semelhantes aos ocorridos no leilão da BR-381, em São Paulo, no ano passado. Naquela ocasião, Zema foi supostamente impedido de discursar devido a articulações atribuídas a Silveira.
Esse mal-estar teria influenciado a decisão do governador de não participar da assinatura do contrato de concessão da rodovia, realizada em Brasília na última semana. “Nos convidam para a assinatura, tentando passar uma imagem republicana, mas no leilão nos deixaram de lado, algo super deselegante”, afirmou uma fonte próxima a Zema.
Outro fator considerado foi a possibilidade de Lula visitar Minas Gerais em fevereiro para tratar do contrato da BR-381. Segundo aliados, Zema comparecerá a esse evento apenas se ele tiver caráter institucional e sem situações que possam prejudicá-lo politicamente. Caso contrário, o governador pode optar por se ausentar novamente.
Embora o desentendimento entre Zema e Silveira seja evidente, os dois não teriam se encontrado em Brasília, já que o ministro representava o Brasil no Fórum Econômico Mundial, em Davos, durante o evento. Zema, por sua vez, justificou sua ausência ao afirmar que não perderia tempo com “eventos burocráticos”.
Na mesma data, o governador estava em Juiz de Fora, na Zona da Mata, participando de um encontro com a Associação Mineira de Municípios (AMM). A relação entre Zema e o governo federal segue marcada por tensões, e sua presença em compromissos futuros dependerá das circunstâncias políticas e do tom adotado pelos organizadores dos eventos.
Foto: Marcelo Casal/Agência Brasil

