O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ordenou nesta segunda-feira a prisão em flagrante do empresário Rubens Oliveira Costa, apontado como aliado de Antônio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”. A decisão foi tomada durante a sessão após Costa ser acusado de falso testemunho e ocultação de documentos importantes para as investigações. Contudo, ele foi liberado na madrugada seguinte, depois que o delegado da Polícia Legislativa não homologou o flagrante.

Segundo Viana, a ordem também atendeu à solicitação do relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que afirmou que Costa mentiu em depoimento sobre movimentações financeiras já identificadas pela Polícia Federal (PF) e se recusou a fornecer informações cruciais. “Nós temos as quebras de sigilo e dados da Polícia Federal que mostram que ele sacou milhões de reais em agências de Brasília. Ele negou a maioria, além de mentir sobre encontros com suspeitos. Mentir na CPI é crime. Demos várias chances para ele falar a verdade”, justificou o presidente.

Durante seu depoimento, Costa negou ser sócio de empresas envolvidas no esquema. Ele afirmou ter atuado apenas como administrador financeiro em quatro companhias ligadas a Careca, recebendo salários e gratificações, mas sem envolvimento no pagamento de propinas. “Jamais fui sócio de qualquer empresa ao lado do senhor Antônio Camilo, nem de qualquer empresa citada nas investigações. Fui contratado como administrador financeiro e nunca recebi dividendos”, declarou.

Costa revelou pagamentos de cinco milhões de reais à Curitiba Consultoria, de Thaisa Hoffmann, esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Filho, e de um milhão e oitocentos mil reais à Vênus Consultoria, de Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do instituto. Disse ter autorizado os pagamentos, mas alegou desconhecer detalhes dos serviços.

A CPI apura um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, revelado pela Operação Sem Desconto. Careca, apontado como líder, foi preso no início do mês junto com o empresário Maurício Camisotti. O depoimento de Careca está marcado para quinta-feira, e ele poderá permanecer em silêncio por decisão do STF.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

 

 


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