A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciou a programação completa de sua 24ª edição, que será realizada entre os dias 22 e 26 de julho, consolidando mais uma vez o evento como um dos principais encontros literários do país. Neste ano, a homenageada será a poeta paulista Orides Fontela, cuja obra é considerada uma das mais importantes da poesia brasileira contemporânea. A programação reúne escritores, intelectuais, artistas e pesquisadores do Brasil e do exterior para debater literatura, cultura, política, identidade, memória, migrações, conflitos e os desafios do mundo atual.

Ao todo, a programação principal contará com 21 mesas literárias organizadas pela curadora Rita Palmeira. Os encontros reunirão autores brasileiros e estrangeiros que abordarão diferentes perspectivas sobre a produção literária contemporânea, discutindo temas relacionados às guerras, aos deslocamentos humanos, às transformações sociais, aos conflitos geracionais, às mudanças políticas e às experiências de pertencimento e identidade.

Entre os nomes confirmados estão a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, o escritor Milton Hatoum, eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2025, e a escritora angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões de 2025. Também participam autores reconhecidos internacionalmente como Zadie Smith, Hisham Matar, Eduardo Halfon, Kamel Daoud, Eva Baltasar, Nathacha Appanah, Ève Guerra, Carmen Stephan, Julieta Correa e Djaimilia Pereira de Almeida.

Segundo a curadoria, um dos principais eixos da edição será a reflexão sobre a ideia de casa, entendida tanto como espaço físico quanto como representação simbólica da família, da identidade e do próprio país. Muitos dos convidados desenvolveram suas obras a partir de experiências de exílio, deslocamento, migração ou ruptura, aproximando suas narrativas dos desafios enfrentados pelas sociedades contemporâneas.

Essa escolha dialoga diretamente com a trajetória de Orides Fontela, que enfrentou dificuldades econômicas durante grande parte da vida e chegou a viver sem moradia fixa. Para os organizadores, reunir escritores que abordam diferentes formas de instabilidade representa também uma homenagem ao universo poético construído pela autora, marcado pelo rigor formal, pela síntese e pela profunda reflexão sobre a existência.

Natural de São João da Boa Vista, em São Paulo, Orides Fontela nasceu em 1940 e morreu em 1998. Sua produção renovou aspectos do Modernismo brasileiro e influenciou gerações posteriores de poetas. Entre suas principais obras estão *Alba*, vencedora do Prêmio Jabuti de 1983, e *Teia*, premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte em 1996. Em 2026, suas obras voltam ao mercado editorial em novas edições publicadas pela Editora Hedra.

A literatura brasileira contemporânea também terá forte presença na programação, especialmente com autoras que vêm se destacando tanto na poesia quanto na prosa. Entre elas estão Andrea del Fuego, Paulliny Tort, Bethânia Pires Amaro e Paloma Vidal, além do escritor Mateus Baldi, que participará das mesas de debate.

Outro destaque da programação será o décimo Ciclo da Autora Homenageada, promovido em parceria entre a Flip e o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. O evento ocorrerá entre os dias 25 e 27 de junho, antes da abertura oficial da festa literária, reunindo

especialistas, pesquisadores, críticos e escritores para discutir a obra e a trajetória de Orides Fontela em quatro encontros gratuitos.

Participarão desses debates nomes como Alcides Villaça, Olgária Matos, Patrícia Lavelle, Ivan Marques, Paulo Henriques Britto, Tatiana Pequeno, Ana Estaregui, Isabela Bosi e Nina Rizzi. A entrada será gratuita mediante retirada antecipada de senha no local do evento.

A organização da Flip também reforçou que as programações da Flipinha, FlipZona e FlipEduca continuarão desempenhando papel fundamental na formação de leitores de diferentes idades. As atividades foram planejadas para aproximar crianças, adolescentes, educadores e moradores de Paraty da produção literária por meio de oficinas, apresentações artísticas, mediações de leitura, encontros com escritores e ações culturais distribuídas em diversos espaços da cidade.

Durante os cinco dias da festa, o Programa Educativo ocupará a quadra instalada em frente à Praça da Matriz, oferecendo atividades voltadas ao público escolar e às famílias. A proposta inclui oficinas de criação literária, contação de histórias, apresentações culturais, rodas de conversa, práticas de leitura compartilhada e ações formativas conduzidas por escritores, ilustradores e mediadores especializados.

Outra tradição mantida será a realização da 20ª Regata INP, organizada em parceria com o Instituto Náutico de Paraty. O evento reúne embarcações conduzidas por crianças da região em um percurso pela Baía de Paraty, com saída da Praia do Pontal. A iniciativa busca valorizar a cultura caiçara, preservar a memória náutica local e fortalecer os vínculos entre a festa literária e o território onde ela acontece desde sua criação.

Paralelamente ao Programa Principal, a cidade receberá extensa programação nas Casas Parceiras da Flip. Até o momento, quarenta e uma casas confirmaram participação, oferecendo debates, lançamentos de livros, oficinas, exposições, encontros com autores, apresentações culturais e outras atividades gratuitas. Muitas dessas programações contam com curadoria independente, enquanto outras são realizadas em parceria direta com a organização da festa.

Entre os espaços destacados pela curadora Rita Palmeira estão a Casa da Cultura de Paraty, instalada em um casarão histórico construído em 1754, o Cinema da Praça, que promove encontros entre literatura e audiovisual em espaço aberto, e a Casa Motiva, dedicada a debates que dialogam com os temas do Programa Principal e com a realidade cultural da região.

Também será mantida a parceria entre a Flip e a Motiva para oferecer transporte gratuito, terrestre e fluviomarinho, destinado aos moradores de vinte e três comunidades do entorno de Paraty. A iniciativa, criada para ampliar o acesso da população local às atividades da festa, beneficiou mais de três mil pessoas na edição passada e será novamente disponibilizada durante o evento.

A Praça Aberta voltará a ocupar a margem esquerda do rio Perequê-Açu com programação paralela envolvendo editoras independentes, autores, coletivos culturais e instituições locais. Neste ano, o espaço contará ainda com um telão para transmissão gratuita e ao vivo das mesas do Programa Principal, permitindo maior acesso do público às discussões realizadas no Auditório da Matriz.

Outra atividade tradicional será o projeto Leitura na Praça, instalado no gramado da Igreja de Santa Rita entre quinta-feira e domingo. Desenvolvida em parceria com a Estante Virtual, Oficinar, Reserva Mini e a revista Piauí, a iniciativa incentiva a leitura coletiva, promove troca de livros entre participantes e estimula a formação de novos leitores.

As mesas principais ocorrerão no Auditório da Matriz e também poderão ser acompanhadas pelo telão instalado na Praça da Matriz, pela Casa Patrimônio, pelo site oficial da Flip, pelo canal da festa no YouTube e pela emissora Arte1. Todas contarão com interpretação em Libras, audiodescrição e tradução simultânea para o público presente no auditório. A organização informou ainda que parte dos ingressos será destinada gratuitamente à comunidade paratiense, enquanto outra parcela será comercializada com preços reduzidos, reforçando o compromisso da Flip com a democratização do acesso à literatura, à cultura e ao debate público.

Foto: Flip/Divulgação


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