O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a maneira como o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi tratado no ato promovido por apoiadores de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista pode resultar no isolamento do PL e de seus aliados no Congresso Nacional. A manifestação, realizada no domingo em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, reuniu Bolsonaro, sete governadores e lideranças da direita.

Motta, que preside a Câmara desde a saída de Arthur Lira da função, foi alvo de cobranças públicas para pautar o requerimento de urgência do projeto de anistia. Entre os que pressionaram estava o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que reclamou da lentidão na tramitação da proposta. Também discursou o vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), que chamou ao palco representantes de partidos da base e aliados para reforçar a defesa da urgência.

Diante da exposição de Motta, Lindbergh considerou que o episódio representou uma afronta ao presidente da Câmara. “Ele foi tratado de forma desrespeitosa. Isso deve gerar solidariedade a ele e contribuir para isolar ainda mais o PL e seus aliados no Congresso”, afirmou o petista.

Durante o ato, Altineu chamou ao microfone figuras como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Valdemar Costa Neto (presidente do PL), os governadores Ronaldo Caiado (União-GO), Mauro Mendes (União-MT), Wilson Lima (União-AM), Romeu Zema (Novo-MG) e Celina Leão (PP-DF), além do deputado federal Sóstenes. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), também compareceu. A ausência notável foi a do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que não subiu ao trio elétrico.

Dois dias antes, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, declarou ao jornal *O Globo* que o partido está dividido quanto ao apoio à anistia. Altineu, no entanto, contradisse a fala, afirmando que Kassab teria garantido apoio à proposta. Apesar da mobilização, o PL conseguiu apenas 162 das 257 assinaturas necessárias para viabilizar a urgência. Sóstenes anunciou que publicaria os nomes e rostos dos deputados que não assinaram, numa tentativa de aumentar a pressão pública.

O pastor Silas Malafaia, organizador do evento, criticou Motta diretamente e o acusou de sabotar o projeto. Ao lado dele, Tarcísio liderou o coro por “anistia já”, intensificando a pressão sobre o presidente da Câmara e revelando fissuras entre os partidos de direita.

Foto: Gabriel Paiva


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