Manifestações pró-palestinos tomaram as ruas de cidades na Europa e nos Estados Unidos neste sábado, exigindo o cessar-fogo na Faixa de Gaza. Esses protestos devem aumentar até o dia 7 de outubro, quando a guerra completará um ano, com novas frentes de batalha abertas contra o Hezbollah no Líbano e a escalada das tensões entre Israel e o Irã.
Em Nova York, manifestantes se reuniram na Times Square, carregando um grande cartaz do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, com tinta vermelha representando sangue em seu rosto. A resposta de Israel ao ataque do Hamas já deixou mais de 41 mil mortos em Gaza, e o conflito ameaça escalar para uma guerra regional com a incursão de tropas israelenses no Líbano e ataques de mísseis iranianos.
Diversos países emitiram alertas de segurança, temendo que o conflito no Oriente Médio possa inspirar ataques terroristas na Europa ou que os protestos se tornem violentos, como ocorreu em Roma. Na capital italiana, a marcha pacífica foi interrompida quando um grupo tentou avançar em direção ao centro, desafiando a polícia, que respondeu com gás de pimenta e canhões de água.
Em Paris, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na Praça da República em solidariedade aos palestinos e libaneses. Em Madri, manifestantes exigiram que o governo de Pedro Sánchez rompa relações diplomáticas com Israel e adotem o boicote ao país.
No Reino Unido, Londres viu pessoas de toda a Inglaterra carregando bandeiras da Palestina e do Líbano. Entre os manifestantes estava Sophia Thomson, de 27 anos, que pediu um cessar-fogo imediato, questionando quantos mais palestinos e libaneses precisariam morrer. O ex-líder trabalhista Jeremy Corbyn e o ex-primeiro-ministro da Escócia Humza Yousaf também participaram da manifestação.
A tensão em Londres aumentou quando grupos pró-palestinos e pró-Israel se encontraram. Em Berlim, a polícia prendeu 26 pessoas após insultos a uma marcha a favor de Israel.
Enquanto os judeus ao redor do mundo celebram o Rosh Hashaná, o ano novo judaico, mais protestos são esperados para lembrar o ataque do Hamas de 7 de outubro, que deu início à guerra. O ataque deixou 1,2 mil mortos, a maioria civis, e resultou em mais de 250 reféns, dos quais 97 ainda estão em cativeiro.
Em Israel, familiares dos reféns continuam exigindo ações mais firmes do governo pela libertação dos seus entes queridos, apesar das preocupações com a segurança. Embora os principais protestos semanais tenham sido cancelados devido ao risco de ataques do Hezbollah, grupos menores se reuniram em cidades como Tel Aviv, Jerusalém e Cesareia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu uma solução política para o conflito, pedindo que os países interrompam o fornecimento de armas à guerra em Gaza. Ele reiterou que a França não envia armamentos para o conflito e criticou a falta de avanços na situação de Gaza, apesar dos esforços diplomáticos por um cessar-fogo. Macron afirmou que a falta de mudanças está alimentando o ressentimento e o ódio na região.
Netanyahu, por sua vez, criticou duramente as declarações de Macron, afirmando que Israel está lutando contra as forças da “barbárie lideradas pelo Irã” e que os países civilizados deveriam apoiar Israel. Ele classificou como vergonhoso o pedido de embargo de armas contra seu país.
Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden continua a apoiar Israel, apesar de ter suspendido em maio uma entrega de bombas pesadas. Anualmente, os EUA enviam cerca de 3 bilhões de dólares (cerca de R$ 16 bilhões) em armamentos a Israel.
O Reino Unido, no mês passado, suspendeu 30 licenças de exportação de armas para Israel, de um total de 350, alegando riscos de que essas armas sejam usadas em violações do direito internacional na guerra em Gaza.

