Outrora uma das principais forças da política nacional, o PSDB vive hoje seu momento mais frágil em termos de representatividade estadual. De governar quase metade da população brasileira no início da década passada, o partido passou a comandar um único estado — Mato Grosso do Sul —, abrigando apenas 2,7 milhões de pessoas, o equivalente a pouco mais de 1% da população nacional. O número contrasta com os 89,8 milhões de brasileiros sob governos tucanos em 2011, quando o partido administrava oito estados.

O risco agora é perder até esse último reduto. O governador Eduardo Riedel, que chefia o Mato Grosso do Sul, vem sendo assediado por partidos do centro e da centro-direita, como o PP, do senador Ciro Nogueira (PI). Caso aceite a mudança, o PSDB ficará sem qualquer representante no comando de estados, o que aprofundaria ainda mais sua crise institucional e eleitoral.

O declínio começou após 2010, ano em que o partido conquistou os estados mais populosos do país, São Paulo e Minas Gerais, além de Paraná, Goiás, Pará, Alagoas, Tocantins e Roraima. Na época, mesmo com a derrota de José Serra na eleição presidencial para Dilma Rousseff (PT), o PSDB emergia fortalecido nos estados. Ao todo, governava oito unidades da federação e influenciava diretamente a vida de 46% da população brasileira.

Naquele mesmo ciclo eleitoral, o então tucano Geraldo Alckmin assumia mais um mandato em São Paulo, estado que o partido governava desde 1995. Em Minas, Antônio Anastasia era eleito governador e, anos depois, deixaria o PSDB rumo ao PSD de Gilberto Kassab, antes de se tornar ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Em Goiás, Marconi Perillo também assumia o Executivo estadual. Ele é hoje o presidente nacional do PSDB e tenta conduzir o partido de volta à relevância política.

O processo de esvaziamento partidário ganhou força após 2022, quando o PSDB perdeu o governo paulista para Tarcísio de Freitas (Republicanos), pondo fim a uma hegemonia de quase três décadas. Desde então, prefeitos e lideranças tucanas migraram em massa para o PSD, partido que se consolidou como destino preferencial de quadros tucanos, especialmente no interior paulista.

Mais recentemente, até mesmo os governadores eleitos em 2022 pelo PSDB decidiram deixar a legenda. Em fevereiro, a pernambucana Raquel Lyra anunciou sua filiação ao PSDB e, meses depois, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, também formalizou sua saída. Ambos governam estados politicamente estratégicos para as eleições de 2026 e, embora mantenham uma imagem distante dos extremos da polarização, optaram por trajetórias políticas desvinculadas do PSDB. Raquel, inclusive, tem se aproximado do presidente Lula, em consonância com a força do petismo em Pernambuco.

A saída desses nomes fortalece ainda mais o PSD de Kassab, legenda que passou a ser considerada por muitos como uma nova casa para os tucanos órfãos de espaço e perspectiva eleitoral. A aproximação de quadros do PSDB com o PSD chegou a levantar hipóteses de incorporação partidária. No entanto, a sigla tucana agora aposta em uma fusão com o Podemos como estratégia para sobreviver à próxima eleição geral.

“A união com o Podemos dará nova estrutura ao PSDB. Vamos crescer com a fusão”, declarou o deputado federal Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais e último candidato tucano a chegar a um segundo turno presidencial, em 2014. Para ele, a incorporação ao PSD seria o fim definitivo do partido. Ao comentar a saída de Leite e o destino de outros correligionários, Aécio criticou o PSD, rotulando-o como uma legenda “sem posição definida”, que, em suas palavras, “não é de esquerda, nem de direita, nem de centro”.

Hoje, com a possível saída de Riedel e o encolhimento territorial inédito, o PSDB corre contra o tempo para reconstruir sua identidade e ampliar sua presença política. A fusão com o Podemos representa uma última aposta para evitar a irrelevância em 2026.

Foto: Divulgação PSDB

 

 


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