A relação entre o PT e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), entrou em rota de colisão. Após breve período de trégua iniciado em janeiro, quando Galípolo assumiu o comando da instituição com apoio discreto de petistas, a sintonia entre o partido e o economista foi quebrada por divergências em torno da autonomia do BC e do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Inicialmente, o PT havia adotado uma postura de não confrontar Galípolo, focando as críticas na gestão anterior, comandada por Roberto Campos Neto. No entanto, o novo presidente do BC não promoveu mudanças substanciais em relação à política vigente. O ciclo de alta de juros foi mantido e, mais recentemente, Galípolo passou a defender abertamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central.

Durante reunião com senadores nesta terça-feira (27), Galípolo pediu apoio à tramitação da PEC, o que provocou desconforto entre parlamentares petistas. Para tentar reduzir tensões, aliados do governo no Senado buscam uma versão alternativa do texto que atenda a parte das demandas da legenda.

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que nem Galípolo nem integrantes do governo o procuraram para discutir a proposta e reafirmou que o partido é tradicionalmente contrário a qualquer ampliação da autonomia do BC.

As divergências se intensificaram após vir a público o descompasso entre Galípolo e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o reajuste do IOF anunciado pelo governo. O episódio reforçou o desgaste da relação entre o BC e setores do governo.

Em 2023, lideranças do PT viam em Galípolo uma figura promissora, capaz de apaziguar o mercado e defender o governo. Lindbergh chegou a apostar que ele contribuiria para controlar o câmbio e sinalizaria apoio à política econômica de Lula. Essas expectativas, no entanto, não se concretizaram.

Foto Lula Marques/ Agência Brasil

 

 


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