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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo para que os pais levem seus filhos para se vacinarem contra a covid-19, mas voltou a defender a não obrigatoriedade da imunização do público de 5 a 11 anos e criticou a cobrança do comprovante de vacinação para crianças nas escolas.

A declaração de Queiroga foi dada ao comentar decisão da Justiça de Alagoas, que determinou que as redes públicas e privada de ensino de Maceió exijam o passaporte vacinal para que alunos de 5 a 17 anos tenham acesso às salas de aula.

“Já prejudicaram nossas crianças em 2020, já prejudicaram em 2021. Querem prejudicar de novo, impedindo que as crianças tenham acesso à sala de aula?”, criticou Queiroga, ao defender que as crianças não podem ser obrigadas a se vacinar, posição também defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O povo brasileiro tem grande adesão à vacina. Por que eu vou criar mais calor em uma discussão que é um direito de todos? Busque as vacinas, as vacinas estão aí”, disse também o titular da Saúde. Ontem, em entrevista ao ao site “Gazetaweb”, em Maceió, Queiroga defendeu que o retorno de crianças e adolescentes às aulas não deve ter nada a ver com a vacinação.

O ministro participou hoje de um ato de vacinação infantil contra a covid-19 em Maceió. Durante o ato, ele vacinou duas crianças. Segundo ele, o governo federal vai distribuir até 15 de fevereiro as doses necessárias para vacinar todas as crianças de 5 a 11 anos com a primeira aplicação. “Vamos disponibilizar as vacinas para os pais e eu exorto a cada pai e cada mãe que levem seus filhos para a sala de vacinação”, disse Queiroga.

Apesar do incentivo do titular da pasta à vacinação infantil, uma notícia veiculada no site do Ministério da Saúde, no fim de janeiro, para divulgar a distribuição de doses pediátricas orienta que os responsáveis das crianças procurem médicos antes da imunização.

A medida é criticada por especialistas. Queiroga informou que após 55 dias da aprovação da primeira vacina para uso infantil contra a covid-19 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o percentual de crianças de 5 a 11 anos que tomaram a primeira dose de imunizantes contra a doença não passa de 15%.

Reportagem publicada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo mostra que esse percentual evidencia o ritmo lento de uma campanha muito aquém da capacidade do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Análise do jornal mostra que o país demorou 23 dias para alcançar essa cobertura, no último final de semana, quase o triplo do tempo gasto por Canadá, Austrália, Argentina e Uruguai, conforme os dados oficiais.

Especialistas apontam que a desinformação tem afetado a campanha e que os posicionamentos contrários das autoridades geraram desconfiança — Bolsonaro é contra a vacinação infantil e já declarou que não vai vacinar a filha Laura, de 11 anos.

Quarta dose

Queiroga também criticou a aplicação de uma segunda dose de reforço das vacinas contra a covid-19 e disse que o país precisa avançar antes na aplicação da dose de reforço ou terceira dose. A aplicação de uma quarta dose foi levantada pelo governo de São Paulo e pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

“Antes de querer aplicar quarta dose sem evidência científica precisamos avançar na aplicação da terceira dose de vacina. O Brasil aplicou em cerca de 30% da sua população a dose de reforço, não queremos aplicar uma quarta dose sem ainda ter uma evidência científica forte”, explicou.

Um levantamento do Ministério da Saúde aponta que mais de 54 milhões de brasileiros em condições de tomar a dose de reforço ainda não o fizeram. Até o momento, 45,8 milhões de pessoas receberam essa dose adicional.

As doses de reforço podem ser dadas quatro meses após a conclusão do ciclo vacinal. As pessoas devem consultar as secretarias municipais de saúde para se informarem sobre os locais onde essas doses estão sendo aplicadas. Até o momento, o ministério recomenda a aplicação de uma quarta dose apenas para pessoas com alto grau de imunossupressão.

Fonte: Uol


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