A reconstrução das moradias destruídas na Faixa de Gaza pode estender-se até o próximo século, de acordo com projeções da ONU. O relatório, emitido após quase sete meses de bombardeios israelenses que devastaram a região, sugere que o ritmo atual de reconstrução poderia prolongar o processo por até 80 anos. Durante os conflitos, aproximadamente 80.000 residências foram arrasadas, seguindo ataques iniciados por combatentes do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro, que resultaram em milhares de mortes palestinas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) detalha que seria necessário um século para reconstruir todas as habitações severamente danificadas, assumindo a continuidade das condições atuais. Contudo, com um aumento significativo na velocidade de entrega de materiais de construção—cinco vezes mais rápido do que em crises anteriores—esse prazo poderia ser reduzido para 2040.

O relatório do PNUD também aborda as profundas consequências socioeconômicas da guerra, alertando para décadas de adversidades futuras. Achim Steiner, administrador do PNUD, destacou o impacto devastador dos conflitos: perdas humanas sem precedentes, destruição substancial de capital, e um rápido aumento na pobreza, fatores que ameaçam desencadear uma crise de desenvolvimento extensa e comprometer as gerações futuras.

Adicionalmente, o documento projeta que, se o conflito se estender por nove meses, a taxa de pobreza em Gaza pode escalar de 38,8% para 60,7% até o final de 2023, forçando muitos da classe média para abaixo da linha de pobreza.


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