Faltando poucos dias para o congresso nacional que definirá o novo comando da Rede Sustentabilidade, os grupos liderados pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e pela ex-senadora Heloísa Helena, atual porta-voz do partido, estão em meio a uma intensa disputa judicial. Nesta semana, decisões judiciais impactaram diretamente o equilíbrio de forças na eleição interna da legenda.

No Rio de Janeiro, aliados de Marina Silva conseguiram barrar judicialmente a participação de delegados ligados a Heloísa Helena. A decisão foi motivada por uma ação de uma filiada que alegou não ter sido informada previamente sobre o encontro municipal e que sua assinatura teria sido utilizada sem autorização. Com isso, os delegados eleitos naquele evento estão impedidos de votar no congresso. A direção nacional, por sua vez, defende a legalidade da conferência realizada.

Na Bahia, o grupo de Heloísa Helena obteve uma vitória ao garantir, por decisão judicial, a eleição de Marcelo Carvalho como porta-voz estadual. Tentativas de aliados de Marina para anular a reunião estadual foram rejeitadas. O desembargador Renato Rodovalho Scussel, da 2ª Turma Cível do TJDFT, reconheceu a regularidade da filiação dos delegados apoiadores de Heloísa.

Esses conflitos judiciais são apenas os episódios mais recentes de uma disputa antiga. Em março, a ala de Marina também teve rejeitado um pedido para anular a criação da Comissão Eleitoral Nacional, sob a alegação de favorecimento. O juiz Cleber de Andrade Pinto entendeu que o Judiciário não deve interferir no processo interno do partido.

O congresso nacional da Rede será realizado entre os dias 11 e 13 de abril, e os delegados elegerão o novo porta-voz da legenda. Heloísa Helena apoia o nome de Paulo Lamac, atual secretário de Relações Institucionais de Belo Horizonte. Marina Silva, por sua vez, lançou como candidato Giovanni Mockus.

A disputa escancara o racha interno na Rede. As divergências remontam a 2022 e refletem visões distintas sobre o rumo ideológico do partido. Enquanto Marina defende uma linha “sustentabilista”, voltada à defesa ambiental em diálogo com o governo federal, Heloísa segue firme no “ecossocialismo” e mantém uma postura crítica ao PT, partido do qual foi expulsa em 2003 por se opor à reforma da Previdência no primeiro mandato de Lula.

Foto: Divulgação / Rede Sustentabilidade

 

 

 


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