O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com lideranças do União Brasil nos próximos dias para formalizar a substituição no comando do Ministério das Comunicações. A mudança ocorrerá após a saída de Juscelino Filho (MA), que pediu exoneração na terça-feira (8), poucas horas depois de ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e outros crimes relacionados ao desvio de emendas parlamentares.
O nome escolhido para ocupar a pasta é o do deputado Pedro Lucas Fernandes (MA), atual líder da bancada do União Brasil na Câmara. A indicação partiu do próprio partido e foi comunicada ao presidente Lula durante conversa telefônica com o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da Segunda Comissão da Casa. Segundo ministros do governo, Lula sinalizou positivamente à escolha e pretende oficializar a decisão após seu retorno de viagem a Honduras, previsto para a madrugada de quinta-feira (10).
Pedro Lucas é visto como um nome de consenso. Ligado à ala governista do União Brasil, ele tem bom trânsito no Palácio do Planalto e já foi presidente da Agência Executiva Metropolitana durante o governo de Flávio Dino no Maranhão. Atualmente em seu segundo mandato na Câmara, é próximo do presidente nacional do partido, Antonio Rueda.
A reunião para tratar da nomeação deve contar com a presença de Lula, Pedro Lucas, Alcolumbre, Rueda e o ministro do Turismo, Celso Sabino. Internamente, a escolha de Pedro Lucas é considerada “natural”, conforme definiu o ex-líder da bancada Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que destacou a experiência administrativa e o apoio da base como fatores decisivos.
Com a ida de Pedro Lucas ao ministério, a liderança do União Brasil na Câmara ficará vaga e, segundo informações preliminares, deverá ser assumida por Juscelino Filho, que retorna à Câmara após deixar o Executivo.
Pedro Lucas já havia integrado comitivas presidenciais em viagens internacionais, como no Japão e Vietnã, o que estreitou sua relação com o presidente. Durante esses compromissos, participou de reuniões restritas com Lula e demonstrou afinidade com a agenda do governo, o que reforçou sua imagem como um interlocutor confiável.
A expectativa dentro do Palácio do Planalto é de que a nomeação contribua para melhorar a relação entre o governo federal e o União Brasil, sigla marcada por divisões internas. Enquanto figuras como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mantêm posição crítica e oposicionista, outros integrantes do partido defendem uma maior aproximação com o Executivo.
Hoje, o União Brasil ocupa três ministérios: Comunicações, Turismo e Integração e Desenvolvimento Regional. A legenda é a terceira maior bancada da Câmara, com 59 deputados, e conta com sete senadores, incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), apoiado pelo partido.
Além de atender à ala governista da legenda, a substituição no ministério também é vista como um gesto político do governo e de Alcolumbre para aproximar o presidente do partido, Antonio Rueda, da articulação federal. Desde que assumiu a direção da sigla, Rueda ainda não havia participado de reuniões diretas com Lula. Agora, com a entrada de Pedro Lucas, essa aproximação tende a se consolidar.
Para lideranças do União Brasil, a mudança representa uma “nova fotografia” do partido, com maior protagonismo de nomes alinhados ao governo e uma tentativa de reforçar o espaço político da legenda na Esplanada.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

