Perto de concluir a primeira metade de seu segundo mandato, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), dá sinais de reavaliar uma de suas principais bandeiras: as privatizações. A mudança de tom surge após a aprovação, no Senado, de um projeto do presidente Rodrigo Pacheco (PSD), que trata da renegociação das dívidas estaduais.
Com Minas Gerais devendo cerca de R$ 165 bilhões e inserida no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), o projeto aprovado na última terça-feira prevê a redução de juros e a possibilidade de abater parte da dívida com a entrega de ativos. Entre os bens negociáveis, estão a Cemig, Copasa e Codemig, empresas que Zema já manifestou interesse em incluir no acordo, o que permitiria reduzir até 42% do débito estadual.
“Queremos que a União considere os ativos do estado, como Cemig, Copasa e Codemig, para que o valor seja abatido de forma justa. São empresas com avaliação clara, como no caso da Cemig e Copasa, cotadas em bolsa”, declarou Zema em Brasília, após acompanhar a aprovação do texto.
O novo discurso em favor da federalização contrasta com posições recentes do governador. Em novembro, Zema enviou projetos à Assembleia Legislativa propondo a privatização da Cemig e Copasa, classificando-os como prioridades para 2025. A proposta soma-se a tentativas anteriores de retirar a obrigatoriedade de um referendo popular antes de qualquer privatização. Contudo, a PEC correspondente permanece travada na CCJ, e iniciativas similares, como o projeto de privatização da Codemig, foram arquivadas no mandato anterior.
Nos bastidores, deputados avaliam que Zema pode estar recuando devido à dificuldade de aprovação das privatizações. Outra hipótese é que o governador esteja usando o discurso federalista para legitimar o plano original, caso não haja avanço nas negociações com o governo federal.
A impopularidade das privatizações também pesa. Pesquisa Quaest deste mês revelou que 51% dos mineiros são contrários à desestatização da Copasa. Em contrapartida, a federalização dessas companhias encontra maior aceitação. Um projeto do deputado Professor Cleiton (PV), que propõe repassar a Cemig e Copasa à União, recebeu apoio até do líder do governo, João Magalhães (MDB), embora o parlamentar tenha recuado em suas declarações posteriormente.
Além disso, Cleiton apresentou uma proposta para incluir a Codemig nesse modelo, com uma PEC que viabiliza a cessão das lavras caso a companhia seja federalizada. Apesar de esforços nesse sentido, Cleiton afirmou, em entrevista ao O Globo, que o governo não demonstrou interesse em suas sugestões desde fevereiro de 2023.
Enquanto Zema ajusta sua estratégia, a renegociação da dívida e o futuro das estatais mineiras permanecem no centro do debate político em Minas Gerais.
Com informações de O Globo.
Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG

