Presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou nesta sexta-feira que a direita ainda não fechou posição em torno de uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e voltou a defender o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como alternativa competitiva para o Planalto.

Segundo ele, além de Tarcísio, outros governadores despontam como opções no campo conservador, entre eles Romeu Zema, de Minas Gerais, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Ratinho Júnior, do Paraná, o que demonstra, na avaliação do dirigente, um cenário de fragmentação e disputa aberta dentro da própria direita.

Em entrevista à Jovem Pan, Pereira afirmou que, se pudesse escolher individualmente, apoiaria Tarcísio não apenas por ele integrar o Republicanos, mas por considerá-lo um nome mais ao centro, equilibrado e com capacidade de diálogo, características que, segundo ele, seriam fundamentais para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dirigente partidário ressaltou que ainda é cedo para afirmar que a direita fechou questão em torno de Flávio Bolsonaro e destacou que diferentes lideranças já se colocaram como pré-candidatas, o que, em sua visão, impede qualquer leitura de consenso neste momento do processo político.

Na mesma entrevista, Marcos Pereira criticou declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se referiu a Tarcísio como apenas um servidor público, classificando a fala como deselegante e arrogante, além de afirmar que o filho do ex-presidente também ocupa um cargo público e atualmente se encontra nos Estados Unidos.

Para o presidente do Republicanos, esse tipo de postura não contribui para a construção de uma unidade no campo conservador e acaba aprofundando divisões internas justamente num momento em que a direita busca reorganização e definição de estratégias para a disputa presidencial.

Tarcísio de Freitas, por sua vez, procurou minimizar ruídos ao explicar o adiamento de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Papudinha, afirmando que a ausência ocorreu por razões pessoais e de agenda.

O governador de São Paulo também afirmou que não se sentiu pressionado por Flávio Bolsonaro a demonstrar apoio público à sua pré-candidatura e reagiu às cobranças de setores bolsonaristas, dizendo que tem sido enfático em suas posições e coerente com sua trajetória política.

Tarcísio acrescentou que, com o passar do tempo, as divergências tendem a se acomodar e avaliou como natural a existência de disputas internas em um campo político amplo, reiterando a confiança de que a direita apresentará uma candidatura competitiva nas próximas eleições presidenciais.

Apesar das declarações públicas, interlocutores próximos ao governador relatam que ele se animou com a possibilidade de enfrentar Lula nas urnas e autorizou articulações políticas nesse sentido, informações que Tarcísio classificou como especulações ao ser questionado.

Outro ponto sensível citado por aliados diz respeito à resistência enfrentada por Flávio Bolsonaro entre lideranças evangélicas, que mantêm diálogo com o senador, atendem telefonemas e aceitam conversas reservadas, mas evitam gestos públicos que indiquem apoio antecipado.

A avaliação predominante nesse segmento é de que Flávio ainda não reúne densidade política suficiente para liderar o campo conservador em 2026, o que tem dificultado sua tentativa de se apresentar como herdeiro natural do capital político do pai.

Nos bastidores, circula com força a ideia de uma chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice, combinação vista por dirigentes e pastores como eleitoralmente mais competitiva e capaz de mobilizar diferentes segmentos do eleitorado.

Essa leitura, segundo interlocutores, funciona como um freio adicional ao avanço do projeto de Flávio Bolsonaro, ao oferecer uma alternativa considerada mais equilibrada entre força eleitoral, apelo junto aos evangélicos e capacidade de diálogo com setores de centro.

Na tentativa de reduzir resistências, Flávio Bolsonaro buscou contato com lideranças religiosas influentes, como o pastor Silas Malafaia, com quem tentou marcar um jantar para abrir um canal mais estruturado de diálogo, iniciativa que não avançou.

Movimentos semelhantes ocorreram com outros polos evangélicos, incluindo aproximações com o pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, e com pastores ligados à Igreja Universal, mas, segundo aliados, as conversas não resultaram em adesão formal.

Um aliado resumiu o saldo dessas investidas como acolhimento sem adesão, explicando que os líderes religiosos atendem, conversam, mantêm portas abertas, mas evitam entrar de fato no jogo sucessório. O cenário descrito reforça a percepção de que a direita atravessa um período de indefinição, com múltiplos projetos em disputa e ausência de consenso claro sobre quem deverá liderar o campo conservador na eleição presidencial nos próximos meses, enquanto lideranças testam nomes, medem forças regionais e observam movimentos do eleitorado nacional atento às articulações políticas que definirão alianças e estratégias futuras da direita.

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados


Avatar

administrator