Nesta segunda-feira, a Rússia realizou um dos maiores ataques à Ucrânia desde o início da guerra, lançando mais de 200 mísseis e drones contra várias regiões do país. As explosões atingiram cidades importantes, forçando milhares de pessoas a buscar abrigo e causando danos significativos à infraestrutura energética, incluindo uma usina hidrelétrica.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, descreveu o ataque como “um dos maiores” até agora, mencionando o uso de “mais de 100 mísseis de diferentes tipos e uma centena de drones Shahed.” Zelensky também fez um apelo à comunidade internacional, especialmente aos países europeus, para que colaborem com a Ucrânia na defesa aérea, destacando que a cooperação com os caças F-16 poderia ser crucial.

As sirenes de ataque aéreo soaram em quase todas as regiões da Ucrânia, desde as áreas de linha de frente, como Kharkiv e Dnipro, até a cidade portuária de Odessa e a capital, Kiev. O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, confirmou que entre 15 e 24 regiões foram alvo de drones, mísseis de cruzeiro e mísseis hipersônicos Kinzhal. A empresa nacional de energia, Ukrenergo, foi forçada a implementar cortes de energia emergenciais para estabilizar o sistema.

O Ministério da Defesa da Rússia assumiu a responsabilidade pelo ataque, afirmando ter usado armamento de longo alcance e alta precisão para atingir a infraestrutura energética da Ucrânia. Este ataque ocorre um dia após uma série de ofensivas russas na cidade de Kramatorsk, onde um jornalista da Reuters foi morto quando um míssil atingiu o hotel onde estava hospedado.

Além disso, o Exército polonês relatou que um “dispositivo voador,” provavelmente um drone, sobrevoou o território da Polônia, membro da Otan, antes de desaparecer dos radares. O incidente aumentou as tensões na região, já que a Polônia faz parte da aliança militar ocidental.

Este ataque é o maior desde o início da incursão ucraniana na região russa de Kursk, que começou no início do mês. Embora as forças ucranianas tenham ocupado uma área relativamente pequena, cerca de mil km², o impacto moral e prático foi significativo. O comando militar russo deslocou tropas de outras regiões da Ucrânia para lidar com a invasão, mas ainda não houve movimentações em áreas como Donetsk, que continua sendo o foco dos esforços russos.

O Kremlin vinha sinalizando uma resposta contundente à incursão ucraniana, e o ataque desta segunda-feira parece ser parte dessa resposta. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, havia afirmado que “ações hostis” como as observadas em Kursk não ficariam sem resposta.

Apesar da ajuda militar ocidental fornecida à Ucrânia, os aliados de Kiev impuseram restrições ao uso de suas armas para ataques em território russo. Após os ataques desta segunda-feira, autoridades ucranianas pediram a remoção dessas restrições, argumentando que são necessárias para fortalecer a defesa aérea do país.

Em resposta aos ataques, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, reiterou a necessidade urgente de defesa aérea para a Ucrânia e indicou que o assunto será discutido em uma reunião informal com os chanceleres do bloco.

Além dos danos às redes elétricas ucranianas, a Rússia também afirmou ter atingido armas e munições ocidentais em campos de aviação ucranianos e estações de compressão de gás e energia elétrica, que supostamente alimentam o complexo industrial militar da Ucrânia. Apesar dos danos, funcionários descartaram a possibilidade de rompimento da barragem de uma usina hidrelétrica nos arredores de Kiev.

Enquanto isso, a Ucrânia continua retaliando, utilizando drones explosivos de longo alcance de fabricação nacional para atingir tanques de combustível e refinarias de petróleo na Rússia. A preocupação russa agora também se volta para a central nuclear de Kursk, localizada perto da fronteira com a Ucrânia. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) liderará pessoalmente uma missão à instalação.

Os ataques russos às cidades ucranianas têm ocorrido com frequência, além dos bombardeios diários nas áreas de linha de frente. Na segunda-feira, um ataque danificou um prédio residencial na cidade de Lutsk, e foram relatadas mortes em várias regiões, incluindo Dnipropetrovsk, Zaporizhzhia, Volyn e Zhytomyr.

Desde o início da invasão em larga escala pela Rússia em fevereiro de 2022, mais de 10 mil civis foram mortos na Ucrânia, de acordo com dados das Nações Unidas.


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