Vereadora de Belo Horizonte, Duda Salabert (PDT), é crítica à postura do governador Romeu Zema (Novo) ante o processo que culminou no aval a um empreendimento minerário na Serra do Curral. Para a parlamentar, o governador mineiro atua como “office boy” das mineradoras. Ontem, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) publicou a licença prévia concedida à Taquaril Mineração S.A (Tamisa) para preparar a exploração de uma área da serra.
“A gente sabe que Zema representa o poder das mineradoras. Esse é o papel dele. Ele é um office boy das mineradoras. Questionamos, tem que ser demitido como office boy, mas é o papel dele”, disse Duda, ao videocast “EM Entrevista”, do Estado de Minas e do Portal Uai.
Desde que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou o pleito da Tamisa, no sábado (30), surgiram ações judiciais questionando os impactos da mineração nas famosas montanhas.
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por exemplo, listou, à Justiça Federal, possíveis prejuízos à água tratada utilizada na capital, ao ar respirado pelos cidadãos e ao sossego dos moradores do entorno – visto que os explosivos necessários para escavar o solo podem gerar ruídos e vibrações.
“A Serra do Curral é um patrimônio da biosfera, de Minas Gerais e de Belo Horizonte. Ela não é do Zema ou minha, mas nossa. Temos que discutir a Serra do Curral. Destruir um pedaço da serra é tirar um pedaço de mim, de você, da sua infância”, afirmou a pedetista.
Na terça (3), em Brasília (DF), Zema falou que o caso da Serra do Curral tem sido “polemizado”. Segundo ele, o debate é marcado por opiniões “sem fundamentação”.
“Esse é um assunto técnico, lamento que esteja sendo polemizado. Acho que assunto de saúde tem que ser tratado por médicos, por quem é da área da saúde. E assuntos de meio ambiente, deveriam ser tratados por pessoas dessa área”, protestou. Lamento que esteja sendo causada uma repercussão por pessoas que opinam sem ter essa fundamentação”, completou Zema.
A declaração do governador foi refutada por Duda Salabert. “Dizer que só pessoas com formação acadêmica, só técnicos, podem discutir? Esse discurso tecnocrático era muito usado na ditadura militar para negar a participação popular. A gente não aprende só na universidade; aprendemos nas ruas”, afirmou a vereadora.

