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Após oito anos fora da internet, Novojornal volta. Em 21 de janeiro de 2014, ano eleitoral, as 6:30 da manhã, fui preso preventivamente na porta da redação e o Novojornal retirado da internet. Permaneci encarcerado a início no Ceresp da Gameleira e depois no presidio de segurança máxima Nelson Hungria, até 03 de novembro de 2014, oito dias após o segundo turno das eleições presidenciais, quando fui solto por “excesso de prazo na formação de culpa”. Ou seja, para conclusão dos inquéritos que provariam o que fundamentara minha prisão.

Hoje, oito anos depois, a situação é a mesma, com uma diferença, os inquéritos abertos foram concluídos e nada foi provado. Perícia nos equipamentos, documentos apreendidos, na contabilidade, quebra de sigilos, telefônico, fiscal, bancário e nenhuma irregularidade foi encontrada.

Em um dos inquéritos, o delegado Rodrigo Bossi, que o presidia, concluiu em seu relatório que eu; “era o primeiro preso político, após a redemocratização do País”. Todos os documentos e equipamentos do Novojornal que foram apreendidos desapareceram.

Vejo hoje, com orgulho, que todas as denúncias publicadas no Novojornal, foram provadas através de diversos inquéritos da Polícia Federal, que geraram vários processos que tramitam por todo País.

O promotor que pediu minha prisão fundamentada em falsas acusações, encontra-se preso por feminicídio, o que não comemoro, pois é uma tragédia para seus familiares.

Ousamos, na década de 2000, enfrentar o poderoso esquema que se encontrava instalado em Minas Gerais, através da entrega de nossas riquezas. Voltáramos a ser colônia. Tendo como resultado desta subserviência; as seguidas tragédias, a exemplo de Mariana e Brumadinho. Neste fato, também nada a comemorar, ao contrário, apenas a consciência tranquila por ter publicado o que sabíamos a respeito.

A economia de Minas Gerais foi arrasada. Nossas principais estatais delapidadas. Os políticos mineiros outrora figuras nacionais respeitadas, transformaram-se em motivo de chacota. E os bons políticos estão pagando um preso caro pelo descredito que acabou injustamente afetando a todos.

Disto tudo, uma lição. A necessidade de uma imprensa independente. Se toda imprensa mineira, tivesse exercido seu trabalho com independência, não estariam na situação atual, definhando porque perdeu a função.

Os leitores migraram para as redes sociais em busca de informação e encontraram a desinformação, e as denominadas fake News. Neste quadro, toda sociedade perdeu e as maiores vítimas foram os Poderes, que tudo fizera para cercear o trabalho da imprensa.

Não guardo mágoas ou ressentimentos, quero apenas seguir meu caminho.


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