O general Walter Braga Netto, preso há quase nove meses na 1ª Divisão do Exército, na Vila Militar, Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem recebido pouca atenção de seus colegas do Congresso. Autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes desde abril, apenas sete dos 25 parlamentares compareceram à unidade para visitá-lo, em contraste com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que já acumulou mais de 60 pedidos semelhantes.

Procurados, os senadores justificaram a ausência com conflitos de agenda, compromissos prioritários e até esquecimento da autorização concedida por Moraes. “Nem eu me lembrava mais desse assunto, mas tenho interesse em visitá-lo. Braga Netto é um homem sério e injustiçado por narrativas”, afirmou o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que não aproveitou o aval recebido meses atrás.

A prisão do ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Bolsonaro foi determinada por Moraes, que apontou tentativa de interferência nas investigações ao supostamente buscar acesso à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.

O pedido de visita partiu de Izalci Lucas (PL-DF), que reuniu 22 assinaturas de colegas. Apesar disso, nem ele compareceu ao presídio. “Eu fiz o requerimento com o pedido de vários senadores, mas infelizmente o ministro Alexandre de Moraes colocou tanta dificuldade, tanto impedimento, com relação a dia e horário, que acaba inviabilizando. O ideal pra mim seria fim de semana. Por isso que eu não fui até hoje”, disse.

Entre as restrições, Moraes limitou a três visitas diárias, vetou assessores, seguranças, imprensa e proibiu celulares ou qualquer registro de imagem. A maioria dos parlamentares que ignorou a permissão faz parte do grupo mais crítico ao ministro e apoiou o recente pedido de impeachment contra ele.

A localização também é apontada como obstáculo. “Não basta chegar ao RJ, tem que ir até a Vila Militar. A maioria desconhece o trajeto e existe ainda a questão da segurança, pois o itinerário passa por áreas perigosas do RJ”, relatou um colega de Braga Netto.

Mesmo Romário (PL-RJ), que reside no Rio, não demonstrou interesse em visitá-lo. Outros senadores, como Sergio Moro (União Brasil-PR), Tereza Cristina (PP-MS) e Laercio Oliveira (PP-SE), atribuíram a ausência a compromissos de agenda. Já Dr. Hiran (PP-RR) declarou: “Eu ainda sou um médico ativo, quando não estou em atividade parlamentar, tenho de correr pro Estado, operar, atender as pessoas. Infelizmente, não tenho tido tempo de sair desses meus compromissos. Essa é a grande razão”.

Styvenson Valentim (PSDB-RN) assinou o pedido como gesto político, mas descartou a visita. “Não está nos meus planos fazer visita ao general até mesmo porque tenho muito trabalho no meu estado como fiscalizar minhas emendas parlamentares para construção de hospitais, escolas, estradas, etc. Meu tempo reservo exclusivamente para atender às demandas do meu povo potiguar”, afirmou. Plínio Valério (PSDB-AM) disse que apenas apoiou o requerimento de Izalci por costume de solidariedade parlamentar.

Braga Netto, que foi candidato a vice de Bolsonaro em 2022, está entre os oito integrantes do chamado “núcleo crucial” da trama golpista. Seu julgamento na Primeira Turma do STF está marcado para 2 de setembro, e, em caso de condenação, pode enfrentar pena de até 43 anos de prisão. Como observam aliados, tempo para visitas não vai faltar.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 


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