O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta terça-feira, no Palácio da Alvorada, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os líderes do Republicanos, Marcos Pereira (SP), Silvio Costa Filho (PE) e Gilberto Abramo (MG). O encontro foi marcado para almoço, a convite do próprio chefe do Executivo, e terá como pauta principal a relação do governo com o Congresso e a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimento de até cinco mil reais. A medida é considerada prioridade do governo e está prevista para ser votada até setembro.
Interlocutores do Republicanos confirmaram a reunião e ressaltaram que “convite de presidente não se recusa”. No Palácio do Planalto, o movimento é visto como parte de uma ofensiva de Lula para aproximar partidos do centrão, especialmente em meio às indefinições sobre o posicionamento dessas legendas no cenário eleitoral de 2026.
Além do objetivo estratégico de reforçar a base aliada, o governo busca apoio imediato para a aprovação da proposta do Imposto de Renda, relatada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A articulação ocorre em um momento em que o Republicanos tem demonstrado sinais de distanciamento do governo federal. Marcos Pereira, presidente da legenda, afirmou recentemente que o partido pretende adotar postura de independência nas eleições presidenciais. “Nós somos independentes e sempre fomos independentes”, declarou.
Apesar da sinalização de afastamento, auxiliares de Lula avaliam que o Republicanos é fundamental para a governabilidade, já que ocupa a presidência da Câmara com Hugo Motta. A presença do deputado paraibano no almoço é interpretada como gesto de conciliação e oportunidade de medir o nível de disposição da legenda em colaborar com o governo.
Nos últimos dias, Lula também recebeu dirigentes do PSD, MDB e União Brasil, partidos de centro que ensaiam maior autonomia diante do Planalto. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve participar do almoço desta terça-feira, reforçando o caráter político da articulação.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

