O governo destituiu hoje o servidor público Luciano de Freitas Musse, gerente de projetos no Ministério da Educação (MEC).

Musse é acusado de atuar com pastores evangélicos para cobrar propina de prefeitos em troca de verbas do MEC durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Controladoria-Geral da União puniu servidor com destituição do cargo. A decisão foi publicada hoje no Diário Oficial da União.

Processo contra Musse apontou que ele teria recebido R$ 20 mil indevidamente. A lei proíbe que servidores públicos atuem como procuradores ou intermediários, e também que usem o cargo para proveito pessoal.

Dinheiro teria sido indicado pelos pastores evangélicos Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura Correia. Apesar de não serem servidores, os religiosos assessoravam o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, que ocupou o cargo até março de 2022.

Pastores intermediaram reuniões do ministro com prefeitos. Pesou contra Musse o depoimento de alguns chefes do Executivo municipais, além de comprovantes de depósito.

‘Gabinete paralelo’ do MEC

Milton Ribeiro e os outros pastores foram presos em junho de 2022 pela Polícia Federal, em operação que apurava tráfico de influência e corrupção para liberação de recursos públicos do MEC. Ele foi solto no dia seguinte, e o caso segue sob investigação. À época, ele negou

A apuração comprovou a existência de um “gabinete paralelo”, formado pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que comandavam a agenda do ministro e direcionavam verbas para aliados.

Os encontros entre pastores e prefeitos resultaram em pagamentos e empenhos que somam R$ 9,7 milhões. Ao menos 10 prefeitos confirmaram que foram abordados pelos pastores, inclusive com relatos de pedido de propina em ouro.


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