A cerimônia de Sete de Setembro em Brasília, realizada neste sábado, contou com a presença dos presidentes dos Três Poderes e foi marcada por um desfile com homenagens ao estado do Rio Grande do Sul e a atletas olímpicos. Um dos principais destaques do evento foi a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na tribuna de honra, com atenção especial ao ministro Alexandre de Moraes, que tem sido alvo de protestos previstos para o mesmo dia em São Paulo. Além de Moraes, participaram os ministros Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, Edson Fachin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

A cerimônia ocorreu em meio à tensão gerada pela recente demissão do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, após denúncias de assédio sexual. Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, alegou ter sido uma das vítimas e, em função disso, não compareceu ao evento. O caso abalou o governo, gerando desconforto nos bastidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao desfile sozinho, a bordo do Rolls-Royce presidencial, uma diferença em relação ao ano anterior, quando estava acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva. Janja, desta vez, estava em um evento de educação no Catar. Em 2023, a primeira-dama havia feito o símbolo do “L” para o público, gesto que se tornou ícone da campanha presidencial de Lula.

A cerimônia contou com a presença de 32 ministros do governo, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin, e ministras como Nísia Trindade (Saúde), Cida Gonçalves (Mulheres) e Esther Dweck (Gestão). Outros nomes de peso como José Múcio (Defesa), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Ricardo Lewandowski (Justiça) também estavam presentes.

Durante o desfile, Moraes foi ovacionado pelo público, que o aclamou com gritos de “Xandão”. Em resposta, o ministro acenou em direção às arquibancadas, demonstrando sua popularidade entre os presentes. Enquanto isso, em São Paulo, um protesto organizado por bolsonaristas pedia o impeachment de Moraes, que recentemente suspendeu a rede social “X”, de propriedade de Elon Musk, por descumprimento de ordens judiciais que exigiam a remoção de conteúdos que promoviam discursos golpistas.

Embora o evento não tenha tido discursos oficiais, o objetivo do Palácio do Planalto foi promover uma mensagem de unidade entre os Poderes. A presença dos ministros do STF reforçou essa ideia, mesmo em meio às reações contrárias de grupos bolsonaristas. Lula, em recentes entrevistas, defendeu Moraes e criticou abertamente as ações de Elon Musk.

Em um pronunciamento em rede nacional na véspera da celebração, Lula destacou a importância da soberania do Brasil, afirmando que ela não está à venda, independentemente da fortuna de quem a desafie. Embora o presidente não tenha mencionado Musk diretamente, a referência era clara. Lula ressaltou que nenhum país é realmente independente quando permite que sua soberania seja ameaçada, reforçando a defesa da legislação brasileira e a criação de oportunidades para a juventude.

Além das questões políticas, o desfile cívico-militar também homenageou instituições que tiveram papel relevante na reconstrução de áreas afetadas no país, como as Forças Armadas, o Corpo de Bombeiros, os Correios e o Movimento dos Atingidos por Barragens. O evento mobilizou 31 atletas de alto rendimento, incluindo a judoca Beatriz Souza, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris.

O esquema de segurança foi robusto, com a Praça dos Três Poderes isolada e o acesso aos prédios da Esplanada dos Ministérios bloqueado. Câmeras, drones e agentes do Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) monitoraram a área, enquanto a circulação de veículos foi interrompida na noite de sexta-feira, garantindo a segurança dos participantes e espectadores. O público esperado para o desfile era de 30 mil pessoas, e a cerimônia durou cerca de duas horas.