A ministra do Planejamento, Simone Tebet, oficializou na sexta-feira, 27, sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, consolidando sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo. A mudança partidária ocorre no contexto de uma estratégia do grupo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar espaço político no maior colégio eleitoral do país e enfrentar adversários como o governador Tarcísio de Freitas e o senador Flávio Bolsonaro.

O ato de filiação contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e de lideranças como o ministro Márcio França, o deputado estadual Caio França e a deputada federal Tabata Amaral. O evento ocorreu na Assembleia Legislativa de São Paulo e destacou o papel de Tebet na campanha presidencial de Lula, além de sua atuação à frente do ministério.

Durante a cerimônia, Alckmin afirmou que o cenário político exigirá uma escolha clara entre democracia e autoritarismo. A fala reforçou o tom adotado pela base governista para a próxima disputa eleitoral.

A entrada de Tebet no PSB faz parte de uma articulação mais ampla para atrair eleitores de centro e direita não alinhados ao bolsonarismo. Para viabilizar a candidatura, ela transferiu seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e deixou o Movimento Democrático Brasileiro, legenda à qual esteve filiada desde 1997.

Além da disputa por uma das duas vagas ao Senado, Tebet terá como missão fortalecer o palanque do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo paulista e reduzir resistências ao nome do petista. Haddad, que cumpria agenda internacional, não participou do evento.

Nos bastidores, a ministra chegou a ser cogitada para disputar o governo estadual, mas a estratégia foi direcionada ao Senado. A avaliação é que ela pode ampliar o debate sobre temas como segurança pública e violência de gênero, áreas em que o bolsonarismo enfrenta maior resistência, especialmente entre mulheres.

Levantamento do Datafolha, realizado entre 3 e 5 de março, indicou Tebet com 25 por cento das intenções de voto em cenário com 11 candidatos, atrás apenas de Alckmin, que somou 31 por cento, mas não deve concorrer ao cargo. Nomes ligados ao bolsonarismo não ultrapassaram 13 por cento.

O próprio Lula já confirmou o apoio à candidatura da ministra. A segunda vaga ao Senado ainda está em aberto e pode ser ocupada por Márcio França ou pela ministra Marina Silva, embora haja resistência dentro do PSB.

Tebet construiu sua trajetória política no Mato Grosso do Sul, onde foi prefeita de Três Lagoas, deputada estadual, vice-governadora e senadora. Ao longo desse período, adotou posições independentes, incluindo o voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

A aproximação com o campo progressista ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Tebet ganhou projeção nacional como integrante da CPI da Covid. Em 2022, disputou a Presidência da República e terminou em terceiro lugar, com 4,2 por cento dos votos válidos, superando Ciro Gomes.

No segundo turno, apoiou Lula e participou ativamente da campanha. Em São Paulo, teve desempenho relevante, com 6,3 por cento dos votos válidos, o equivalente a 1,6 milhão de eleitores, sendo 558 mil apenas na capital.

Agora no PSB, Tebet deve focar em pautas como crescimento econômico, redução do desemprego e propostas sociais, incluindo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Também tem defendido o debate sobre mudanças na jornada de trabalho, como o fim da escala 6 por 1.

A candidatura ao Senado representa um novo passo na trajetória da ministra, que busca ampliar sua atuação política em âmbito nacional e consolidar seu espaço no cenário eleitoral paulista.

Foto: Gustavo Alcântara/Ministério do Planejamento


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