O líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, reagiu às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que noventa por cento dos evangélicos recebem benefícios sociais do governo. A fala ocorreu durante evento que celebrou os quarenta e seis anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, e provocou forte repercussão entre parlamentares ligados ao segmento religioso.

Em publicação nas redes sociais, Sóstenes afirmou que a declaração do presidente revela uma tentativa de tratar evangélicos como base eleitoral cativa. Segundo o deputado, a lógica apresentada por Lula seria a de utilizar políticas públicas como instrumento de convencimento político. Para ele, esse tipo de abordagem ignora valores espirituais e reduz a fé a uma relação de troca. O parlamentar destacou ainda que benefícios sociais não criam obrigação política nem submissão ideológica.

Sóstenes, que é pastor da Assembleia de Deus e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que fé não se compra e que nenhum cidadão deve ser pressionado politicamente por receber auxílio do Estado. Na avaliação do deputado, quem depende de trocar recursos públicos por apoio eleitoral demonstra receio de um eleitorado livre, informado e guiado por princípios próprios, especialmente no campo religioso.

Durante o mesmo discurso, Lula defendeu que o PT reveja seus erros políticos e faça uma reflexão sobre perdas eleitorais em antigos redutos. O presidente citou cidades da Grande São Paulo e do interior paulista que já foram governadas pelo partido e hoje não estão mais sob sua administração. Segundo ele, conflitos internos e falhas de organização contribuíram para o enfraquecimento da legenda em locais simbólicos.

O presidente também ressaltou que, aos oitenta anos, não pode ser visto como o único pilar do partido. Lula afirmou que o PT, enquanto instituição, precisa ser mais forte do que qualquer liderança individual. Em tom pessoal, declarou viver um dos melhores momentos de sua trajetória, mas reforçou que a sobrevivência política da sigla depende da capacidade coletiva de autocrítica, reorganização e diálogo com a sociedade.

Ao falar sobre as eleições, Lula voltou a afirmar que o pleito será marcado pela comparação entre seu governo e o de Bolsonaro. No entanto, alertou que bons resultados administrativos, por si só, não garantem vitória eleitoral. Para o presidente, a disputa será definida pela narrativa política construída ao longo da campanha, e não apenas por indicadores de governo ou comparações diretas com adversários.

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados


Avatar

administrator