O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria e referendou a determinação do ministro Alexandre de Moraes para que a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e polícias militares dos estados desobstruam todas as rodovias bloqueadas.

A sessão virtual extraordinária foi aberta pela presidente do STF Rosa Weber a 0h de hoje. Alexandre de Moraes, relator da ação, foi o primeiro a votas. Acompanharam ao relator os ministros Roberto Barroso, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, junto das ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber.

Ainda faltam os votos de Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Os magistrados têm até às 23h59 desta terça-feira para se manifestar no plenário virtual.

Estradas de 25 estados e o Distrito Federal estão obstruídas por caminhoneiros bolsonaristas, desde domingo (30). Moraes apontou que os registros dos atos tornam “inegável” que “a PRF não vem realizando sua tarefa constitucional e legal”.

Moraes ressaltou que a decisão é de caráter imediato e, se não for cumprida, resultará em multa de R$ 100 mil por hora para o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a partir da meia-noite do dia 1º de novembro. Além da penalidade, o ministro determina que, em caso de descumprimento, aconteça o “afastamento do Diretor-Geral das funções e a prisão em flagrante de crime” e fala em “omissão e inércia da PRF” para resolver a situação.

Desde a noite de domingo, caminhoneiros bolsonaristas fecharam trechos de rodovias para contestar o resultado das eleições, que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pedidos por um golpe de Estado do Exército para deixar Bolsonaro no poder fazem parte do movimento e causaram o isolamento da Esplanada dos Ministérios para evitar a escalada da situação.

À noite, decisões da Justiça Federal determinaram a liberação de rodovias bloqueadas por caminhoneiros em quatros estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. De manhã, a PRF disse que acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) para conseguir liberar estradas bloqueadas.

Ainda no domingo de eleição, Vasques foi intimado por Moraes a dar explicações sobre abordagens a veículos ocorridas durante o segundo turno das eleições. A maior parte das operações da PRF, que haviam sido proibidas de serem feitas no dia do segundo turno pelo próprio Moraes, ocorreu em estados do Nordeste.

A preferência nordestina por Lula em vez de Bolsonaro e a quantidade de operações na região fez com que políticos falassem em tentativa de golpe de Estado, já que pouco antes do segundo turno, o diretor-geral da PRF publicou no Instagram uma foto da bandeira do Brasil com os dizeres “Vote 22 – Bolsonaro Presidente”.

A presidente do PT Gleisi Hoffmann disse ontem que a responsabilidade da solução dos atos dos caminhoneiros é do atual presidente, mas até agora Bolsonaro não se manifestou sobre a derrota nas urnas e não reconheceu a vitória de Lula.


Avatar