Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) articulam pronunciamentos institucionais para a sessão de reabertura do semestre do Judiciário, marcada para esta sexta-feira (2), como forma de reação às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo apuração, os discursos devem ser conduzidos pelo próprio Moraes e pelo presidente do STF, Luís Roberto Barroso. A intenção é reforçar a defesa da independência do Judiciário e da soberania nacional, sem escalar o tom político, mas reafirmando a posição da Corte diante das medidas do governo norte-americano.

“Será uma manifestação institucional, firme, mas dentro do espírito da legalidade e do respeito às instituições democráticas”, dizem ministros do tribunal.

A sessão já estava prevista no calendário do Judiciário, mas o anúncio recente do presidente Donald Trump, que aplicou sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky, transformou o encontro em uma oportunidade para o STF se posicionar de forma unificada.

Além da sanção que atingiu diretamente Moraes, os Estados Unidos já vinham adotando medidas contra o Supremo, sob a justificativa de que a Corte estaria promovendo uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre essas medidas está a revogação de vistos de entrada nos EUA para nove dos onze ministros da Corte. Apenas André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques foram poupados da decisão, o que acentuou ainda mais a percepção de retaliação política.