O Supremo Tribunal Federal (STF) tem registrado um aumento nas ameaças e xingamentos dirigidos a seus ministros às vésperas do julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas acusadas de envolvimento em uma suposta trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As intimidações partem de cidadãos comuns e têm sido feitas principalmente por meio da central telefônica do tribunal.

A crescente hostilidade chamou a atenção da Ouvidoria do STF e motivou discussões sobre um plano especial de segurança para os dias do julgamento. A equipe de segurança da Corte também está monitorando redes sociais em busca de indícios de mobilizações que possam representar riscos ao tribunal.

O julgamento da denúncia ocorrerá entre terça-feira (25) e quarta-feira (26), em três sessões extraordinárias convocadas pelo presidente da Primeira Turma do STF, Cristiano Zanin Martins. Diante do cenário de tensão, a Corte elaborou um conjunto de medidas para reforçar a segurança durante o evento, e até sexta-feira deve concluir um plano detalhado com todas as providências a serem implementadas.

Entre as ações previstas, estão o reforço da segurança interna e a instalação de grades ao redor dos edifícios do STF. Além disso, a Corte pretende solicitar ao governo do Distrito Federal um aumento no efetivo de policiais militares na Praça dos Três Poderes para evitar eventuais tumultos ou manifestações violentas.

Na segunda-feira (24), a Secretaria de Segurança Pública do DF se reunirá com o governador Ibaneis Rocha (MDB) para definir as estratégias de segurança. Segundo fontes do governo distrital, o fechamento da Esplanada dos Ministérios está entre as medidas avaliadas, embora a decisão final ainda não tenha sido tomada.

Ibaneis Rocha já teve atritos com o STF no início de sua gestão, especialmente por ter insistido na nomeação de Anderson Torres para a Secretaria de Segurança Pública do DF. Torres, um dos denunciados neste julgamento, estava de férias nos Estados Unidos quando extremistas depredaram as sedes dos Três Poderes. Após os atos golpistas de 8 de janeiro, Ibaneis foi afastado do cargo por 66 dias por decisão de Alexandre de Moraes, sob acusação de omissão na contenção da violência.

Para retornar ao governo, Ibaneis buscou apoio do ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Moraes ao STF. A articulação surtiu efeito, e Moraes autorizou seu retorno ao cargo em 15 de março de 2023.

 

Foto: Pedro França/Agência Senado