Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) interpretaram o discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante o ato pró-anistia realizado na Avenida Paulista, no último domingo (6), como uma tentativa de suavizar sua postura diante da Corte. Quatro magistrados ouvidos avaliaram que, em comparação com sua fala anterior, em março, na Praia de Copacabana, Tarcísio adotou um tom mais moderado e cuidadoso.

A análise é de que o governador buscou se distanciar do discurso mais radical de Jair Bolsonaro, seu padrinho político, sem, no entanto, romper com a base bolsonarista. Segundo os ministros, Tarcísio é a figura pública que mais sofre pressão para equilibrar o apoio ao bolsonarismo com o respeito às instituições democráticas — especialmente o Judiciário.

No novo discurso, Tarcísio evitou questionar diretamente as penas aplicadas aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e concentrou sua fala nos parlamentares, ao pedir que o Congresso discuta a anistia. A Corte viu esse gesto como um sinal de distensão com o STF. Ele afirmou: “Pedir anistia não é uma heresia”, citando precedentes históricos.

Em março, ao chamar os réus de “inocentes que receberam penas desarrazoadas”, Tarcísio desagradou profundamente membros do Supremo, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, com quem mantinha relação próxima. Desde então, houve um afastamento entre os dois.

Por isso, o tom adotado pelo governador neste novo ato foi acompanhado de perto e interpretado como tentativa de reconstrução de pontes.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil


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