O vereador Carlos Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, prestou depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira, no âmbito da investigação sobre a existência de uma estrutura paralela dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. A PF apura a suspeita de que a Abin tenha sido utilizada para espionagem de adversários políticos.

O advogado de Carlos, Antônio Carlos Fonseca, confirmou o depoimento e expressou insatisfação por não ter obtido acesso aos autos do inquérito, apesar de ter feito dois pedidos, um em fevereiro e outro em abril. “Mesmo sem ter acesso aos autos, o vereador colaborou plenamente, respondendo a todos os questionamentos feitos pela PF/RJ. A defesa acredita que a investigação será finalmente concluída e arquivada”, afirmou o advogado.

Em publicação na rede social X, Carlos Bolsonaro comentou sobre o depoimento e reiterou o questionamento sobre a falta de acesso aos documentos do caso. “Fui depor mais uma vez na Polícia Federal sobre outro fato, e, apesar dos esforços do advogado, mais uma vez sem ter acesso aos autos. É um absurdo sentar inúmeras vezes diante de um delegado e me preocupar com o que falar para não ser associado a mais uma história em que preciso provar minha inocência”, escreveu o vereador.

O escândalo envolvendo a Abin teve início com a revelação de que um programa de espionagem, chamado FirstMile, foi utilizado para monitorar adversários políticos. Em março de 2023, o “GLOBO”, revelou que a estrutura ilegal produzia dossiês e disseminava notícias falsas sobre membros do Judiciário, do Legislativo, além de jornalistas e servidores públicos. A investigação também examina a possível atuação da Abin para proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em relação ao caso de “rachadinha”, envolvendo desvios de salários de servidores no gabinete de Flávio enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Foto: Guilherme Nery/CMRJ


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