Na manhã desta quarta-feira (4), Tadeu Martins Leite (MDB), conhecido como Tadeuzinho, foi reeleito presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para o biênio 2025-2026. Mesmo com o apoio do governador Romeu Zema (Novo) e sem concorrentes ao cargo, sua reeleição consolida a independência do Legislativo mineiro em relação ao governo estadual.
A decisão de Zema em apoiar Tadeuzinho e não lançar um candidato próprio foi interpretada como uma estratégia para evitar o desgaste de uma possível derrota. O deputado, conhecido por sua postura republicana, já havia vencido a eleição anterior, em 2023, com o apoio de uma aliança que uniu oposição e base governista, contrariando o desejo do governador, que preferia Roberto Andrade (Republicanos).
Apesar de contar oficialmente com uma base aliada de 57 dos 77 deputados estaduais, o governo Zema enfrenta dificuldades para aprovar projetos na Casa. Essa base é fragmentada em dois blocos: um grupo coeso de 33 parlamentares e outro mais instável, composto por 24 deputados de nove partidos diferentes. Essa divisão tem travado projetos prioritários do Executivo, especialmente os relacionados às privatizações.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa eliminar a necessidade de referendo popular para a venda de estatais, como a Cemig (energia) e a Copasa (saneamento), segue parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) há meses. Com a recondução de Tadeuzinho à presidência, a expectativa é que o Legislativo continue impondo resistência a essas iniciativas do governo.
Embora a reeleição de Tadeuzinho tenha ocorrido de forma unânime, a eleição da 1ª Secretaria da Mesa Diretora gerou um racha interno no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antônio Carlos Arantes, que ocupava o cargo, foi substituído por Gustavo Santana após seis dos 11 deputados da bancada declararem apoio ao novo candidato. A manobra foi articulada por Bruno Engler, que deve assumir a liderança da bancada do PL na Assembleia, deixando Arantes sem espaço na estrutura política interna.
Com Tadeuzinho reconduzido à presidência, o governo de Romeu Zema deve enfrentar um cenário legislativo ainda mais desafiador, marcado pela autonomia da Assembleia e pela fragmentação da base governista. A manutenção dessa postura independente tende a impor obstáculos significativos às pautas prioritárias do Executivo nos dois últimos anos de mandato.
Foto: Guilherme Bergamini

