O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta terça-feira (7) apoio à proposta de emenda à Constituição apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro que prevê o fim da reeleição para cargos do Executivo no país. A manifestação ocorreu durante evento em Franco da Rocha, na Região Metropolitana paulista.

Segundo o governador, o atual modelo de reeleição precisa ser revisto, especialmente pelos impactos que pode gerar na gestão pública. Para ele, a possibilidade de disputar um segundo mandato acaba influenciando decisões administrativas, comprometendo a adoção de políticas de longo prazo. “A gente tem que se questionar em que medida a reeleição está ajudando ou não o país. Hoje, acho que a reeleição está fazendo mal para o Brasil”, afirmou.

A proposta defendida por Flávio Bolsonaro busca restabelecer o modelo anterior à emenda constitucional de 1997, quando não havia reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. Pelo texto, os ocupantes do Executivo ficariam impedidos de concorrer ao mesmo cargo no mandato subsequente, reforçando o princípio da alternância de poder.

Na justificativa da proposta, o senador argumenta que o sistema atual cria um ambiente de disputa eleitoral permanente, no qual decisões administrativas podem ser condicionadas a interesses políticos imediatos. A mudança, segundo ele, permitiria maior foco em ações estruturantes e reduziria a influência de cálculos eleitorais na gestão.

A defesa do mandato único tem sido utilizada por aliados como um instrumento de articulação política, sobretudo na tentativa de ampliar o diálogo com partidos fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo. A sinalização de apoio de Tarcísio é vista como um reforço relevante nesse processo, dada sua posição de destaque entre lideranças da direita no cenário nacional.

Durante o mesmo evento, o governador também comentou a disputa pela segunda vaga ao Senado por São Paulo, ainda indefinida. Ele afirmou que a indicação caberá ao PL, que conduz negociações internas para definir o nome que representará o grupo na eleição.

Tarcísio destacou que as conversas avançam e demonstrou confiança na construção de um consenso. Ele mencionou a possibilidade de diálogo com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com Eduardo Bolsonaro, ressaltando que a vaga seria, inicialmente, destinada a Eduardo, caso estivesse no país.

O governador também fez um alerta sobre a leitura de pesquisas eleitorais neste momento, afirmando que o cenário ainda está em formação e que muitos eleitores não conhecem os possíveis candidatos. Segundo ele, é cedo para conclusões definitivas sobre o desempenho de nomes colocados na disputa.

Levantamentos recentes apontam que nomes ligados à esquerda aparecem em posição de destaque na corrida pelo Senado em São Paulo. Entre eles estão Simone Tebet, Márcio França e Marina Silva. No campo da direita, surgem nomes como Guilherme Derrite e o deputado Ricardo Salles.

Apesar disso, o cenário segue indefinido. A esquerda enfrenta um impasse interno, especialmente diante da disputa entre França e Marina Silva. Márcio França anunciou

recentemente a formação de uma chapa com o ex-prefeito Rubens Furlan como suplente, mas ainda não há definição sobre sua candidatura.

A declaração de Tarcísio ocorre em meio à intensificação das articulações políticas visando as próximas eleições. A discussão sobre o fim da reeleição passa a integrar esse cenário, com potencial de influenciar alianças e estratégias eleitorais nos próximos meses.

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil


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