O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a conversar com ele em algumas ocasiões sobre a possibilidade de assumir a candidatura do grupo político à Presidência da República. Segundo Tarcísio, no entanto, sua decisão sempre foi permanecer à frente do governo paulista e buscar a reeleição.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan FM, nesta segunda-feira. O governador explicou que, desde o início das discussões sobre o cenário eleitoral, deixou claro a Bolsonaro que sua prioridade era continuar administrando São Paulo.
De acordo com Tarcísio, o estado possui o maior colégio eleitoral do país e desempenha papel estratégico para seu grupo político. Na avaliação do governador, deixar o cargo para disputar a Presidência poderia abrir espaço para adversários conquistarem o comando do estado, o que também teria reflexos na disputa nacional.
O chefe do Executivo paulista afirmou que procurou enxergar sua posição dentro de uma lógica coletiva e que sua missão política seria manter a base conservadora fortalecida em São Paulo. Segundo ele, essa função de “contenção” é fundamental para o projeto político defendido pelo grupo ligado ao ex-presidente Bolsonaro.
Tarcísio também declarou estar satisfeito com a experiência à frente do governo paulista. Segundo ele, a população lhe concedeu um importante voto de confiança nas eleições e sua intenção é honrar esse compromisso, dando continuidade aos projetos e programas da atual administração.
Durante a entrevista, o governador reiterou que seu candidato à Presidência da República é o senador Flávio Bolsonaro. Tarcísio ressaltou que sempre afirmou que apoiaria Bolsonaro ou o nome indicado por ele para representar o campo político conservador na disputa nacional.
Segundo o governador, como a escolha recaiu sobre Flávio Bolsonaro, ele trabalhará em favor da candidatura do senador, inclusive coordenando sua campanha em São Paulo. Tarcísio destacou ainda sua lealdade ao ex-presidente, a quem atribui sua entrada na política nacional e a oportunidade de ter ocupado o cargo de ministro da Infraestrutura.
Ao comentar outros nomes da direita que aparecem como possíveis candidatos, Tarcísio elogiou Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Apesar disso, avaliou que o cenário eleitoral continua fortemente polarizado e que existe pouco espaço para candidaturas alternativas fora dos dois principais campos políticos.
Na visão do governador paulista, a disputa presidencial tende a ocorrer entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Para ele, a polarização política reduz as chances de surgimento de novas lideranças nacionais capazes de romper a divisão existente no eleitorado.
Tarcísio também voltou a defender Jair Bolsonaro e criticou sua prisão. Segundo o governador, houve injustiça ao afastar o ex-presidente do cenário político. Ele classificou Bolsonaro como uma liderança de grande capacidade de mobilização e afirmou acreditar que o ex-chefe do Executivo continua exercendo forte influência sobre seus apoiadores.
O governador declarou ainda que mantém uma relação de amizade e proximidade com Bolsonaro e que pretende retomar contato com ele nos próximos dias. Para Tarcísio, o ex-presidente permanece como uma das figuras centrais da política brasileira, mesmo diante dos processos judiciais e das restrições impostas nos últimos meses.
Entre as propostas já anunciadas por Flávio Bolsonaro para uma eventual vitória presidencial está a intenção de convidar Jair Bolsonaro para subir a rampa do Palácio do Planalto durante a cerimônia de posse prevista para janeiro de dois mil e vinte e sete. A ideia tem sido apresentada como um gesto de reconhecimento ao papel político exercido pelo ex-presidente dentro do movimento conservador brasileiro.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

