O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria nesta quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília. Em nota, o governo paulista informou que o cancelamento ocorreu em razão do cumprimento de compromissos no estado e que uma nova data será solicitada. As visitas ao ex-presidente dependem de autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Apesar da justificativa oficial, a decisão foi interpretada nos bastidores como reflexo de pressões políticas. Tarcísio é visto por setores da direita como um dos nomes mais competitivos para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma disputa nacional. Esse status, no entanto, passou a gerar desconforto após Bolsonaro sinalizar apoio à pré-candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao Palácio do Planalto.
Antes do encontro previsto, Flávio antecipou publicamente os recados que o pai daria ao governador. Segundo o senador, Bolsonaro reforçaria que Tarcísio vem fazendo um bom trabalho em São Paulo e que sua reeleição seria fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT, descartando qualquer ambição presidencial do governador.
Diante da desconfiança de parte do bolsonarismo, Tarcísio reiterou nas últimas semanas que apoiará Flávio. O governador também buscou interlocução com ministros do STF para tratar do pedido de prisão domiciliar do ex-presidente, movimento descrito por aliados como tentativa de preservar um canal direto com a família Bolsonaro e manter o vínculo político em meio ao impacto da prisão.
O pedido para a visita havia sido apresentado na segunda-feira pela defesa de Bolsonaro. Transferido recentemente para a Papudinha, o ex-presidente só pode receber visitas autorizadas pelo relator do processo, conforme determinação do STF.
Foto: Alan Santos/PR

