Autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitará nesta segunda-feira o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por envolvimento na trama golpista. O encontro, marcado para ocorrer em Brasília, acontece em meio a indefinições sobre o papel de Tarcísio nas eleições de 2026. Ainda sem decisão sobre disputar a reeleição ao governo paulista ou substituir Bolsonaro na corrida presidencial, o governador deve tratar com o ex-mandatário sobre a formação da chapa de centro-direita para o Senado em São Paulo.
Outro tema central da reunião será a proposta alternativa à anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de oito de janeiro. Na semana passada, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto que cria uma dosimetria de penas para os envolvidos, se reuniu com a bancada do PT. Na ocasião, os petistas afirmaram que não apoiarão o texto em construção. Paulinho, em resposta, declarou que pretende votar o projeto na próxima terça-feira e que trabalhará para impedir que a votação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais avance antes da definição sobre a dosimetria. O ministro da Economia, Fernando Haddad, criticou a vinculação das pautas e classificou a estratégia como “uma loucura”.
Tarcísio tem se posicionado como um dos principais articuladores de uma solução alternativa à anistia. A expectativa é que ele e Bolsonaro alinhem estratégias para garantir apoio entre parlamentares de centro-direita. O projeto, que Paulinho passou a chamar de “PL da Dosimetria”, busca reduzir as penas de condenados pelos atos de oito de janeiro, incluindo Bolsonaro, mas sem conceder perdão total.
Durante a última semana, Paulinho intensificou reuniões com várias bancadas, incluindo a do Republicanos, partido de Tarcísio, para medir os limites das negociações. Caso ceda demais às pressões bolsonaristas, ele corre o risco de perder apoio do STF e de setores governistas. Por outro lado, se endurecer o texto, pode provocar uma debandada do Centrão.
Enquanto isso, Bolsonaro negou a aliados que já tenha escolhido quem poderá substituí-lo na disputa presidencial de 2026, reafirmando que só decidirá no próximo ano. Tarcísio, por sua vez, continua declarando publicamente que pretende disputar a reeleição ao governo de São Paulo, ainda que siga como um dos nomes mais cotados para herdar a candidatura nacional.
O Senado por São Paulo também estará em pauta. Antes considerado o nome certo para representar a família Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) permanece nos Estados Unidos, temendo ser preso ao retornar ao Brasil, e seu futuro político é incerto. Diante disso, Tarcísio defende que uma das vagas seja ocupada por Guilherme Derrite (PP), atual secretário de Segurança Pública. Já a segunda vaga tem outros pretendentes, como Marcos Feliciano (PL) e Cezinha Madureira (PSD).
Foto: Maria Isabel Oliveira

