A proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros provocou forte reação no cenário político nacional nesta terça-feira. Integrantes do governo federal e lideranças da oposição trocaram acusações após a divulgação do relatório que recomenda a medida e faz críticas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, um dos principais pontos questionados pelas autoridades norte-americanas.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, atribuiu a iniciativa dos Estados Unidos às articulações realizadas por integrantes da família Bolsonaro em território norte-americano. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o Brasil não abrirá mão do Pix e destacou que o sistema representa uma conquista importante para a população.

“O Pix é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista do povo brasileiro”, declarou a ministra. Na mesma mensagem, Gleisi criticou adversários políticos e afirmou que o país deve reagir de forma firme a qualquer tentativa de enfraquecer mecanismos considerados estratégicos para a economia nacional.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, também se manifestou. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar classificou a proposta norte-americana como “Tariflávio”, em referência ao senador Flávio Bolsonaro. Lindbergh reforçou a defesa do Pix e acusou integrantes da oposição de atuarem contra interesses nacionais.

O perfil oficial do Partido dos Trabalhadores divulgou peças publicitárias com mensagens em defesa do sistema de pagamentos instantâneos e da soberania econômica brasileira. As publicações destacavam frases como “O Pix é nosso” e “Defendam o Brasil”.

Do outro lado do debate, Flávio Bolsonaro afirmou que sempre atuou em favor das empresas brasileiras. Durante entrevista concedida nesta terça-feira, o senador declarou que pediu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não aplicasse tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Flávio, a solução para o impasse passa pelo diálogo entre os governos. O parlamentar afirmou que tarifas não representam uma resposta adequada para divergências comerciais e defendeu negociações diplomáticas mais amplas entre Brasília e Washington.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilhou a entrevista do irmão nas redes sociais, sem comentar diretamente a proposta de taxação. O vereador Carlos Bolsonaro também reproduziu a publicação.

Já o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, resumiu sua posição em uma postagem com a frase “Viva o Pix”, acompanhada por imagens da bandeira brasileira.

A investigação conduzida pelo USTR foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974. O relatório final concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos e recomendou a adoção de medidas corretivas.

Entre os principais questionamentos está o funcionamento do Pix. Segundo o órgão norte-americano, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, criando vantagens competitivas em relação a empresas privadas do setor financeiro.

Apesar da proposta de tarifa de 25%, o documento prevê uma extensa lista de exceções. Produtos como carne bovina, café, frutas, fertilizantes, minerais, aeronaves, peças aeronáuticas e diversos itens farmacêuticos permaneceriam isentos da nova cobrança. A proposta ainda passará por consulta pública antes de uma decisão definitiva do governo dos Estados Unidos.

Foto: Saulo Scheffer


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