O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, decidiu prorrogar por mais sessenta dias o prazo para conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o Banco Master. A medida foi adotada após solicitação formal da corporação, que apontou a necessidade de tempo adicional para aprofundar diligências em andamento.

No despacho assinado nesta sexta-feira, Toffoli afirmou que os fundamentos apresentados pela Polícia Federal são suficientes para justificar a extensão do prazo. Segundo o ministro, as razões expostas demonstram a complexidade do caso e autorizam a continuidade das apurações por novo período.

Relator do inquérito no Supremo, Toffoli acompanha a investigação que apura um suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master, instituição financeira que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de dois mil e vinte e cinco. A intervenção da autoridade monetária ocorreu após a identificação de graves problemas de solvência, além de indícios consistentes de práticas irregulares na administração do banco.

Antes da prorrogação, a Polícia Federal havia programado a realização de depoimentos entre os dias vinte e três e vinte e oito de janeiro. Com a decisão do Supremo, o cronograma deverá ser ajustado para acomodar novas oitivas e análises técnicas consideradas indispensáveis pelos investigadores.

Relatórios já anexados ao inquérito mencionam transferências financeiras consideradas suspeitas, inclusive operações que teriam beneficiado o pai do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As investigações também indicam que empresas com capital social reduzido teriam cedido direitos creditórios de valores elevados, o que levantou alertas sobre possíveis irregularidades contábeis e financeiras.

A Polícia Federal apura a atuação de executivos, investidores e empresários ligados à instituição, além de possíveis crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e desvio de recursos. Nesta semana, foi deflagrada a segunda fase da operação, com buscas em endereços ligados a Vorcaro e a prisão temporária do investidor Fabiano Campos Zettel, além de diligências envolvendo o empresário Nelson Tanure.

Com o novo prazo autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal terá mais tempo para consolidar relatórios, examinar documentos apreendidos e avaliar a adoção de novas medidas antes do envio do inquérito ao Ministério Público. O caso segue sob sigilo parcial e é acompanhado com atenção por autoridades regulatórias, mercado financeiro e instâncias judiciais em todo o país.

 Foto: Nelson Jr./STF


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