A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que extingue a escala de trabalho 6×1 e amplia o descanso semanal para dois dias consecutivos gerou expectativa entre trabalhadores de diferentes setores do país. Embora a medida ainda precise passar pelo Senado antes de entrar em vigor, muitos já fazem planos para aproveitar o tempo livre que poderá ser conquistado.

No Rio de Janeiro, a atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, vê na mudança a oportunidade de estar mais próxima das filhas, de 12 e 7 anos. Atualmente trabalhando de segunda a sábado, ela conta que a rotina intensa dificulta sua participação no dia a dia das meninas.

Segundo Gessiane, a mãe é quem assume grande parte dos cuidados com as crianças, levando-as para a escola e acompanhando suas atividades. Com apenas um dia de folga por semana e longos deslocamentos diários entre casa e trabalho, ela raramente consegue passear com as filhas.

Outro trabalhador que aguarda a mudança é o balconista Emerson Santos, de 43 anos. Empregado em uma farmácia da zona sul carioca, ele sonha em aproveitar mais momentos ao lado do filho adolescente. Entre os programas preferidos estão caminhadas, cachoeiras e trilhas na Floresta da Tijuca, atividades que atualmente acontecem apenas esporadicamente.

A expectativa também alcança familiares dos trabalhadores. O gerente de uma loja de calçados Victor Pacheco, de 23 anos, afirmou que ficou satisfeito principalmente pela possibilidade de sua mãe, funcionária de uma fábrica de biscoitos, ter mais tempo para descansar e conviver com a família. Ela enfrenta diariamente uma longa jornada de deslocamento entre Duque de Caxias e Madureira, na região metropolitana do Rio.

Para Juliana de Mello, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvetes e mãe de uma criança de quase dois anos, a mudança poderá significar mais tempo para acompanhar o crescimento da filha. Entre os planos estão consultas médicas, vacinação e atividades simples que hoje precisam ser adiadas devido à rotina de trabalho.

A ampliação das folgas também é vista como uma oportunidade para investir na qualificação profissional. A atendente de banca de jornal Stephanie Gonzaga, de 34 anos, pretende dedicar parte do tempo extra ao curso técnico de enfermagem. Segundo ela, o cansaço provocado pela atual jornada muitas vezes impede a continuidade dos estudos.

Em São Paulo, a expectativa é semelhante. O funcionário de uma papelaria Flávio Antunes afirmou que deseja passar mais tempo com o filho e a esposa. Já a vigilante Celma Araújo comemorou a possível mudança porque beneficiará diretamente o marido e o filho, ambos submetidos à escala 6×1.

O porteiro Everton França acredita que o novo modelo poderá inclusive incentivar o retorno de trabalhadores a setores que exigiam jornadas consideradas excessivamente desgastantes. Formado como metalúrgico, ele abandonou a profissão devido à intensidade da escala de trabalho e afirma que voltaria à área caso a jornada fosse reduzida.

Para milhares de trabalhadores, o avanço da proposta representa mais do que uma alteração na legislação trabalhista. A expectativa é conquistar mais tempo para a convivência familiar, para o lazer, para os estudos e para a melhoria da qualidade de vida.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


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