A transferência de Marcola, apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), e de mais 21 membros da facção para presídios federais em 2019 virou alvo de disputa política.

O ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil-PR) disse que determinou o isolamento das lideranças da facção quando foi ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

A fala ocorreu na sessão plenária do Senado de quarta-feira (22), depois que a PF deflagrou uma operação contra integrantes da facção acusados de planejar um atentado contra ele.

O pedido de remoção da liderança do PCC foi feito, na verdade, pelo promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakiya, à Justiça Criminal de São Paulo.

A solicitação ocorreu em dezembro de 2018. As lideranças do PCC foram transferidas em fevereiro de 2019 de SP para presídio federais de Brasília, Mossoró (RN) e Porto Velho (RO).

O plano de resgate de Marcola, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, já havia sido descoberto e investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo) do MP-SP antes de 2018.

Gakiya passou a ser alvo de ameaças de morte desde então. Segundo ele, a conexão entre o plano descoberto pela Polícia Federal, na quarta-feira (22), e o antigo pedido de remoção ficou evidente nas investigações.

Na corrida eleitoral do ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro já havia afirmado que ele e Moro eram responsáveis pela transferência de Marcola.

Como ocorreu o pedido de transferência

No fim de 2018, Gakiya pediu a remoção dos 22 membros do PCC à Justiça Criminal de São Paulo e a transferência foi autorizada. Na sequência, a ordem foi encaminhada a um juiz federal. No início de 2019, o pedido foi deferido.

A determinação, naquele momento, era para que os presos fossem alocados em presídios federais, segundo o promotor. O então Depen (Departamento Penitenciário Nacional) definiria para quais unidades.

Caberia ao governo federal, segundo Gakiya, enviar os aviões para transferir os presos de São Paulo para o sistema penitenciário federal.

Essa participação [na transferência] não é do ministro da Justiça, é do Depen”, disse Lincoln Gakiya, promotor de Justiça.

Moro se tornou alvo do PCC após proibir visitas íntimas aos presos no sistema penitenciário federal, de acordo com Gakiya. “Isso realmente desagradou não só o PCC, mas todas as facções do sistema prisional”, disse.

O promotor afirma que não há motivo para dizer que foi algo criado pelo governo atual ou algo parecido. “Infelizmente, estão fazendo uso político de uma operação de sucesso.

“Uma célula do PCC tinha esse planejamento de sequestrar a mim e a minha família como uma forma de retaliação ao trabalho que nós fizemos como juiz e, principalmente, como ministro da Justiça. Fomos duros contra o crime organizado, providenciamos o isolamento das lideranças do PCC para presídios federais. Igualmente, mudamos o regime para que nós não tivemos mais comunicação com o mundo externo que não fossem monitoradas”, afirmou Sergio Moro, ex-juiz e senador.

No começo de 2019, foi feito pelo governo anterior, com autorização do presidente Bolsonaro, a transferência das lideranças do PCC para presídios federais, algo que, na verdade, deveria ter sido feito desde 2006 quando aconteceram aqueles atentados em São Paulo”, disse Sergio Moro, ex-juiz e senador.

“Teve que eu chegar em 2019, juntamente com o ministro Sergio Moro, para que nós então tirássemos o Marcola de presídio estadual aqui em São Paulo e mandássemos para um presídio federal“, afirmou Jair Bolsonaro, ex-presidente e então candidato à reeleição.


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