A sanção tarifária imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros desencadeou uma escalada de tensões no cenário político nacional, com reflexos imediatos sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O episódio acentuou o risco de prisão preventiva de Bolsonaro e estimulou um discurso mais radical de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que prometeu intensificar as ofensivas no exterior e indicou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “dobraria a aposta” nas decisões judiciais.
Em entrevista concedida na segunda-feira (21) a um podcast, Eduardo afirmou que a reação de Moraes, que impôs medidas cautelares contra Jair Bolsonaro na sexta-feira anterior (18), já era esperada. “Ele sempre dobra a aposta. Isso já estava no nosso cálculo”, declarou o parlamentar, ao comentar a determinação que obrigou seu pai a usar tornozeleira eletrônica e a se abster do uso de redes sociais.
Eduardo também fez uma analogia controversa ao comentar o plano de ofensiva internacional em busca de anistia: “Se for necessário, queimamos a floresta inteira para nos livrar do Alexandre de Moraes”. Questionado sobre a quem se referia com “floresta”, o comentarista Paulo Figueiredo, que também participou da entrevista, disse se tratar do establishment político.
A tensão aumentou ainda mais com a retaliação americana contra Moraes. No mesmo dia em que as medidas cautelares foram anunciadas, o governo dos Estados Unidos baniu o magistrado e outros integrantes do STF de entrarem no país. Na segunda-feira, Moraes respondeu com novo despacho, ampliando o alcance da proibição de uso das redes sociais por Bolsonaro, incluindo qualquer tipo de retransmissão de entrevistas em plataformas de terceiros.
No mesmo despacho, o ministro intimou o ex-presidente a explicar uma breve fala concedida a jornalistas, que poderia ser interpretada como descumprimento da medida. A defesa de Bolsonaro apresentou resposta nesta terça-feira (22), negando qualquer violação das determinações judiciais.
Segundo Eduardo, o plano de confrontar Moraes internacionalmente sempre previu reações duras por parte do STF. “O plano desde o início tinha duas premissas: a primeira é que Alexandre de Moraes sempre vai dobrar a aposta, então não há surpresa. E a segunda é que, mesmo com isso, seguiríamos em frente”, afirmou. Ele ainda destacou que tudo estaria ocorrendo “como planejado”, inclusive com as reações negativas por parte do Judiciário.
A retórica mais agressiva repercutiu também em Brasília. Após a publicação do despacho de Moraes, deputados aliados ao ex-presidente passaram a defender abertamente o impeachment do ministro como prioridade. A base bolsonarista prometeu ainda ampliar as mobilizações nas ruas contra o STF e o ministro relator da ação penal em que Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.
Apesar do clima de enfrentamento, Bolsonaro tem mantido cautela. Na segunda-feira (21), cancelou uma entrevista ao portal *Metrópoles* com receio de ser acusado de descumprir as medidas cautelares. Mesmo assim, mais tarde, mostrou publicamente a tornozeleira eletrônica e fez um rápido pronunciamento à imprensa, algo que havia evitado na sexta-feira.
“Não desviei recurso, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aqui é covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, disse Bolsonaro, ao exibir o equipamento.
Aliados de Eduardo indicam que novas sanções diplomáticas e medidas de pressão estão sendo articuladas. A ofensiva externa é considerada central na estratégia bolsonarista para tentar reverter o quadro político e constranger as instituições brasileiras perante organismos e lideranças internacionais. Com a ofensiva escalando de forma inédita, a crise entre o Judiciário e o bolsonarismo tende a se aprofundar nas próximas semanas.
A sanção tarifária imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros desencadeou uma escalada de tensões no cenário político nacional, com reflexos imediatos sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O episódio acentuou o risco de prisão preventiva de Bolsonaro e estimulou um discurso mais radical de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que prometeu intensificar as ofensivas no exterior e indicou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “dobraria a aposta” nas decisões judiciais.
Em entrevista concedida na segunda-feira (21) a um podcast, Eduardo afirmou que a reação de Moraes, que impôs medidas cautelares contra Jair Bolsonaro na sexta-feira anterior (18), já era esperada. “Ele sempre dobra a aposta. Isso já estava no nosso cálculo”, declarou o parlamentar, ao comentar a determinação que obrigou seu pai a usar tornozeleira eletrônica e a se abster do uso de redes sociais.
Eduardo também fez uma analogia controversa ao comentar o plano de ofensiva internacional em busca de anistia: “Se for necessário, queimamos a floresta inteira para nos livrar do Alexandre de Moraes”. Questionado sobre a quem se referia com “floresta”, o comentarista Paulo Figueiredo, que também participou da entrevista, disse se tratar do establishment político.
A tensão aumentou ainda mais com a retaliação americana contra Moraes. No mesmo dia em que as medidas cautelares foram anunciadas, o governo dos Estados Unidos baniu o magistrado e outros integrantes do STF de entrarem no país. Na segunda-feira, Moraes respondeu com novo despacho, ampliando o alcance da proibição de uso das redes sociais por Bolsonaro, incluindo qualquer tipo de retransmissão de entrevistas em plataformas de terceiros.
No mesmo despacho, o ministro intimou o ex-presidente a explicar uma breve fala concedida a jornalistas, que poderia ser interpretada como descumprimento da medida. A defesa de Bolsonaro apresentou resposta nesta terça-feira (22), negando qualquer violação das determinações judiciais.
Segundo Eduardo, o plano de confrontar Moraes internacionalmente sempre previu reações duras por parte do STF. “O plano desde o início tinha duas premissas: a primeira é que Alexandre de Moraes sempre vai dobrar a aposta, então não há surpresa. E a segunda é que, mesmo com isso, seguiríamos em frente”, afirmou. Ele ainda destacou que tudo estaria ocorrendo “como planejado”, inclusive com as reações negativas por parte do Judiciário.
A retórica mais agressiva repercutiu também em Brasília. Após a publicação do despacho de Moraes, deputados aliados ao ex-presidente passaram a defender abertamente o impeachment do ministro como prioridade. A base bolsonarista prometeu ainda ampliar as mobilizações nas ruas contra o STF e o ministro relator da ação penal em que Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado.
Apesar do clima de enfrentamento, Bolsonaro tem mantido cautela. Na segunda-feira (21), cancelou uma entrevista ao portal *Metrópoles* com receio de ser acusado de descumprir as medidas cautelares. Mesmo assim, mais tarde, mostrou publicamente a tornozeleira eletrônica e fez um rápido pronunciamento à imprensa, algo que havia evitado na sexta-feira.
“Não desviei recurso, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aqui é covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação”, disse Bolsonaro, ao exibir o equipamento.
Aliados de Eduardo indicam que novas sanções diplomáticas e medidas de pressão estão sendo articuladas. A ofensiva externa é considerada central na estratégia bolsonarista para tentar reverter o quadro político e constranger as instituições brasileiras perante organismos e lideranças internacionais. Com a ofensiva escalando de forma inédita, a crise entre o Judiciário e o bolsonarismo tende a se aprofundar nas próximas semanas.
Foto: White House, Press

