O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (16), após ser questionado sobre o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que pede sua condenação por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Trump descreveu o brasileiro como “um bom homem” e reafirmou que ele estaria sendo vítima de uma “caça às bruxas”.
“O presidente Bolsonaro é um bom homem. Conheci muitos primeiros-ministros, presidentes, reis e rainhas, e sei que sou muito bom nisso. O presidente Bolsonaro não é um homem desonesto. Ele ama o povo brasileiro. Ele lutou muito pelo povo brasileiro”, afirmou Trump, ao comentar a situação do ex-mandatário.
Trump já havia mencionado Bolsonaro em uma carta divulgada na semana passada, na qual anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. No documento, o presidente americano citou o julgamento do brasileiro no Supremo Tribunal Federal (STF) como uma das razões para a adoção das medidas comerciais.
“Ele negociou acordos comerciais contra mim em nome do povo brasileiro, e foi muito duro, porque queria fazer um bom negócio para seu país. Ele não era um homem desonesto. Acredito que isso seja uma caça às bruxas e que não deveria estar acontecendo”, reforçou o republicano.
Nesta terça, Trump voltou a se manifestar sobre o tema, dizendo: “Ele não é como se fosse meu amigo. Ele é alguém que eu conheço. Sei que ele representa milhões de brasileiros, são ótimas pessoas, ele ama o país e lutou muito por essas pessoas. E eles querem prendê-lo. Acho que isso é uma caça às bruxas e acho muito lamentável.”
Na última sexta-feira, a ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, criticou duramente Bolsonaro, chamando-o de “amigo corrupto” de Trump. Em publicação na rede social Bluesky, a ex-candidata democrata à Presidência afirmou: “Você está prestes a pagar mais pela carne bovina não apenas porque Trump quer proteger o seu amigo corrupto… mas também porque os republicanos no Congresso decidiram ceder-lhe o seu poder sobre a política comercial.”
Bolsonaro é acusado pela PGR de cinco crimes: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Na noite de segunda-feira (15), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou alegações finais ao STF em que defende a condenação do ex-presidente e de outros sete réus.
“As evidências são claras: o réu agiu de forma sistemática, ao longo de seu mandato e após sua derrota nas urnas, para incitar a insurreição e a desestabilização do Estado Democrático de Direito”, escreveu Gonet em manifestação com mais de 500 páginas. O documento reforça a denúncia apresentada pela PGR em fevereiro e detalha os elementos que sustentam a acusação.
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