Na semana passada , a reitora Sandra Regina Goulart Almeida reuniu-se com o reitor da Universidade de Sevilha, Miguel Ángel Castro Arroyo, para debater oportunidades de aprofundar as colaborações com a universidade espanhola – na conversa, foram estabelecidos os termos para se inaugurar, em breve, pós-graduações stricto sensu de dupla titulação.

Em maio, a reitora da UFMG já havia se reunido com Miguel Arroyo em Sevilha para debater formas de intensificar as colaborações. Na reunião desta quarta, os dirigentes deram seguimento às tratativas, com foco no estabelecimento de uma titulação dupla na área de História.

Foi assinado um novo acordo de cooperação – o quinto instrumento jurídico formalizado entre as instituições –, por meio do qual a Universidade de Sevilha vai destinar um percentual de suas bolsas Erasmus para mobilidade da UFMG, dando efetividade a um pleito apresentado em reunião anterior.

As tratativas para a viabilização do acordo foram mediadas pelo diretor de Relações Internacionais da UFMG, Aziz Tuffi Saliba, e pela vice-reitora de projeção institucional e internacionalização da US, Carmen Vargas Macías, também presentes no encontro. O encontro desta quarta também teve a participação da diretora-adjunta de Relações Internacionais da UFMG, Bárbara Malveira Orfanò.

A parceria entre UFMG e US situa-se no âmbito do Grupo Tordesillas, rede que visa promover a cooperação científica, cultural e educacional entre universidades de Brasil, Portugal e Espanha – em particular, a colaboração nos campos da ciência, da tecnologia e da inovação. No início desta semana, ocorreu na UnB, em Brasília, o 12º Encontro de reitores do grupo, do qual participaram comitivas das duas universidades. Sandra Goulart fez a comunicação de encerramento do evento, em que ela tratou, entre outras coisas, das relações entre internacionalização e desenvolvimento socioeconômico. A gravação da reunião está disponível na UnBTV.

Os instrumentos jurídicos – convênios de intercâmbio e de pesquisa e acordos de cooperação – que estabelecem as relações entre a UFMG e a Universidade de Sevilha remontam a 2018, data do primeiro compromisso firmado. Desde então, a aproximação entre as instituições já resultou, por exemplo, na vinda de sete alunos da US para a Summer School on Brazilian Studies da UFMG, em anos distintos. Essa escola de verão é um curso intensivo, de duas semanas, oferecido a alunos estrangeiros. Nele, em dois períodos do ano, são ministradas aulas sobre aspectos políticos, históricos, geológicos, jurídicos, econômicos, artísticos e culturais da complexa realidade brasileira.

A parceria também já resultou no trânsito de professores seniores entre as universidades para estadas curtas e na ida de uma pesquisadora do Departamento de Geografia para cursar doutorado sanduíche na universidade espanhola – Cecília Siman Gomes, que, completado o período de intercâmbio, defendeu a tese Classificação e análise biohidrogeomorfológica das áreas úmidas de Minas Gerais: integração multicriterial, multiescalar e geoespacial na UFMG em maio deste ano.

A importância de parcerias como a atual se exemplifica pela trajetória dessa pesquisadora: somando essa formação transnacional ao seu currículo, Cecília tornou-se servidora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), onde hoje dá a sua contribuição para a gestão territorial ambiental do estado de Minas Gerais.

“A Universidade de Sevilha é uma de nossas grandes parceiras na Espanha”, confirmou a reitora da UFMG. Sandra Goulart reiterou que as duplas titulações são, de fato, umas das prioridades atuais da UFMG para esse tipo de parceria. “Nosso Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) já aprovou uma resolução de dupla titulação, então o caminho está aberto. Paralelamente, também estamos trabalhando com a possibilidade de estabelecermos uma parceria, no âmbito da Associação de Universidades do Grupo de Montevidéu (AUGM), diretamente com a Associação Universitária Iberoamericana de Pós-graduação (AUIP), da qual Miguel Arroyo é presidente”, adiantou.

“Estamos absolutamente convencidos, a reitora e eu, que temos ainda muito mais espaço para colaborar”, afirmou o reitor de Sevilha. Ele destacou que esse “espaço” se organiza em três linhas de atuação: as ações de mobilidade, para o trânsito de professores, pesquisadores e estudantes; as ofertas acadêmicas, na perspectiva de titulações comuns, “sobretudo em pesquisas com teses cotuteladas”; e o reforço da imagem de ambas as instituições em suas regiões, impulsionando alianças amplas, que envolvam outras universidades e instituições. “Queremos desenvolver um encontro entre mais universidades espanholas e as universidades brasileiras.

A reitora [Sandra Goulart] ficou com a responsabilidade de articular isso com as universidades federais brasileiras, e eu acabo de me dar essa mesma responsabilidade [em relação às universidades espanholas]”, disse ele, situando a intenção de levar essa discussão para os âmbitos da AUGM e AUIP.


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